O novo líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn é um político comprometido com a América Latina, as causas sociais e os sindicatos, um homem da velha escola, que parecia morta depois de Tony Blair.

“Queremos uma sociedade na qual não se ignore as pessoas que ficaram à margem”, declarou Corbyn em suas primeiras declarações após o anúncioi de sua vitória este sábado em Londres.

Corbyn tem 66 anos, voz suave e oratória pausada. É deputado pelo bairro londrino de Islington, norte da cidade, desde 1983.

O histórico líder trabalhista Tony Benn o chamava de “camarada Corbyn”, segundo recordou este último.

Não gosta da austeridade orçamentária, liderou a oposição à guerra no Iraque e quer eliminar as armas nucleares, defende os serviços públicos e pretende re-estatizar alguns, como as ferrovias, símbolo das privatizações da era de Margaret Thatcher.

“A maioria das infraestruturas de eletricidade, gás, água e ferrovias foram construídas com investimentos públicos desde a Segunda Guerra Mundial, e depois privatizadas a preço de banana por Thatcher e os governos conservadores”, criticou.

Corbyn nunca nunca teve um cargo importante e trabalhou para sindicatos antes de ser eleito para o parlamento.

Não fez universidade e preferiu ir para a Jamaica para trabalhar para uma organização de caridade.

Corbyn nasceu em Chippenham, sul da Inglaterra, em 26 de maio de 1949. Começou sua militância política no mundo sindical e, em 1983, entrou no parlamento pelo voto de Islington Norte, que defendeu com êxito em oito eleições gerais.

Seus pais eram ativistas que se conheceram na guerra civil espanhola e cresceu numa família com três irmãos, todos homens.

Como bom esquerdista britânico, na tradição que remonta a George Orwell, tem sua conexão com a Guerra Civil espanhola: seus pais eram ativistas que se conheceram durante o conflito.

Corbyn é pai de três filhos e se casou três vezes. Sua primeira esposa foi Jane Chapman. Sua segunda, a mãe de seus três filhos, é uma chilena que se chama Claudia Bracchitta, de quem se divorciou porque ele queria que os filhos fossem a uma escola pública e ela queria que fosse uma instituição mais seleta.

Sua terceira e atual esposa, com quem se casou há alguns anos no México, é a mexicana Laura Álvarez, que se dedica à importação de café.

Na legislatura 2010-2015, foi e presidente do comitê parlamentar para o México e liderou uma visita de deputados a esse país, que visita regularmente por causa de sua esposa.

Em janeiro de 2015, pronunciou no parlamento um discurso sobre direitos humanos nesse país, no qual afirmou que o “México é uma nação com uma história extraordinária, diversidades e contrastes, mas também um lugar de grande tristeza”.

“Um fim de semana, minha mulher e eu estávamos em Cuernavaca, uma linda cidade não muito longe da capital. Ao chegar, ouvimos que haviam pendurado 12 corpos sem cabeça em uma ponte”, contou.

“Esse é o grau de violação dos direitos humanos, ameaças e medo no México”, concluiu, também recordando os 43 estudantes mexicanos desaparecidos em Iguala, aparentemente chacinados.