27/03/2011 - 22:59
O ex-presidente americano Jimmy Carter iniciou nesta segunda-feira uma visita de três dias a Cuba para discutir com o governante Raúl Castro possibilidades de melhorar a relação bilateral, afetada pela prisão do americano Alan Gross.
Nove anos depois de sua primeira visita a Cuba, o ex-presidente, de 86 anos, chegou a Havana na companhia de sua mulher Rosalynn, em missão não governamental, e foi recebido no aeroporto pelo chanceler Bruno Rodríguez.
Carter, a figura política americana mais importante a visitar a ilha em meio século de governo comunista, reúne-se agora à tarde com líderes da comunidade judaica e com o cardeal Jaime Ortega.
O ex-presidente, que durante seu governo (1977-1981) buscou normalizar as relações com Cuba, será recebido por Raúl Castro na terça-feira, depois da visita ao antigo Convento de Belém, em Havana Velha.
Em sua viagem de 2002, Carter teve várias reuniões com o então presidente Fidel Castro, 84 anos, que elogiou sua “ética” em um artigo de imprensa, por isso, não se descartou a possibilidade de ele ser recebido desta vez na casa do líder cubano, agora já aposentado do governo.
O Centro Carter anunciou que a viagem tem um caráter “privado”, com o objetivo de obter informações sobre as reformas econômicas impulsionadas por Raúl Castro e analisar caminhos para diminuir a confrontação entre ambos os países, em relações diplomáticas desde 1961.
Apesar de ter havido uma trégua quando Barack Obama chegou ao poder em 2009, o conflito voltou a ocorrer no caso Gross, preso em dezembro desse mesmo ano e condenado no último 12 de março a 15 anos de prisão, acusado de desenvolver um plano de redes de informática clandestinas para socavar o governo comunista.
Apesar de não estar em Cuba em missão oficial, o governo de Obama e a família Gross disseram esperar que Carter, conhecido por seu talento de negociador, busque uma libertação “humanitária” do americano, de 61 anos, e que enfrenta problemas de saúde.
Os Estados Unidos, que não aceitam a aproximação com Cuba enquanto Gross estiver preso, o reconhece como funcionário de uma empresa terceirizada pela Agência Internacional para o Desenvolvimento (Usaid), mas sustenta que apenas fornecia acesso à Internet a grupos judaicos.
Apesar de os membros da comunidade judaica negarem ter mantido contato com Gross, Carter e funcionários dos Estados Unidos que visitaram a ilha incluíram em suas agendas os encontros com líderes da comunidade.
A viagem de Carter coincide com a conclusão de um processo de libertação de meia centena de opositores condenados em 2003, resultado de um inédito diálogo instalado em maio de 2010 entre Raúl Castro e o cardeal Ortega.
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