05/09/2007 - 7:00
Desde que assumiu o Ministério da Defesa, Nelson Jobim não saiu um dia sequer da frente dos holofotes. Seu corpanzil de 1,90 m, acompanhado de um gênio forte, ocupou os espaços da crise aérea e até a ofuscou. Que ninguém se engane, a crise não acabou. Ela só foi embrulhada. Passageiros que ficaram parados em Congonhas, na manhã da quintafeira 30, porque os vôos para Brasília foram cancelados, têm certeza disso. O problema persiste, irrita e continua causando prejuízos. A TAM, por exemplo, declarou aos investidores que os gastos com combustíveis subiram US$ 7,5 milhões no último trimestre, porque suas aeronaves precisam sobrevoar os aeroportos muito mais do que o necessário esperando permissão para pousar. Mas o fato é que o governo ganhou fôlego novo e uma folga para tratar do assunto com a troca de cadeiras na Anac e na Infraero. Nesse jogo, Nelson Jobim fez prevalecer sua vontade e mostrou que o discurso de que é ele quem manda não é mera retórica. ?A crise, enquanto crise, está minimizada?, disse à DINHEIRO o ministro Nelson Jobim, ao sair da CPI do Apagão Aéreo na Câmara. ?Mas ela existe. Agora temos que reestruturar a Defesa e devolver a sensação de segurança e a tranqüilidade para o passageiro.?
O primeiro trabalho de Jobim foi nos bastidores. Não pediu publicamente as cabeças dos diretores da Anac, mas deixou o Congresso fritar um por um, desqualificando, humilhando, constrangendo e até pedindo a quebra de sigilos fiscais e telefônicos. Até a quinta-feira à noite, apenas o presidente Milton Zuanazzi resistia, mas sua saída era dada como certa. ?Ele não agüenta a pressão do Jobim mais uma semana?, afirmou um dos assessores próximos ao ministro. Sem poderes e presidente de uma agência que, por lei, não pode mais funcionar ? porque os quatro cargos de diretores estão vagos ?, Zuanazzi só foi recebido uma vez por Jobim. Ele apareceu no gabinete do ministro acompanhando a diretora Denise Abreu, que foi levar sua carta de demissão. Jobim os recebeu de pé, pegou a carta e deu as costas. À CPI, o ministro diz ter dúvidas se a Anac deve existir. Pelo sim, pelo não, criou a Secretaria de Aviação Civil, subordinada a ele, que vai fiscalizar a Anac, a Infraero e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Mas Jobim prometeu indicar pelo menos dois diretores da Anac.
Enquanto arruma a casa, não marcou audiência com as empresas aéreas nem com os controladores de vôo. Recebeu um documento do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) com diversas sugestões de redistribuição das rotas e repassou para a área técnica avaliar. ?Eu vou tratar esse assunto sem nenhuma emoção. O que eu sei é que jabuti não sobe em árvore?, afirmou em referência à concentração de mercado. Os controladores ? um outro problema em meio à crise ? serão recebidos por Jobim na segunda quinzena de setembro. ?Eu não vou permitir que nenhum problema coorporativo prevaleça?, garantiu o ministro da Defesa, que não pretende se envolver em problemas salariais. A situação está longe de se normalizar, mas os resultados da gestão de Jobim começam a aparecer. ?Neste momento a crise acalmou. Parece que o governo retomou as rédeas da aviação civil?, avalia Flávio Costa, diretor de Operações da Ocean Air, mas com ressalvas diante das cobranças do ministro. ?O governo reclama, mas as empresas são apenas concessionárias. Se não há uma política clara, não há o que ser seguido.
O duopólio, por exemplo, só existe porque o governo permitiu.?