03/05/2006 - 7:00
A jóia é valiosa. Administra R$ 83 bilhões em ativos e tem assentos no comando de companhias como Vale do Rio Doce, Embraer e Brasil Telecom. Essa é a Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, com uma musculatura maior do que o PIB de muitos países. Com tanto poder, é natural que a instituição desperte uma guerra acirrada por seu comando. E o período decisivo dessa disputa, repleta de rasteiras e intrigas, será entre os dias 15 e 29 de maio, quando sete chapas disputarão 19 cargos, todos com salários próximos a R$ 12 mil ? com as indicações para alguns conselhos, os rendimentos podem chegar a R$ 30 mil. Na disputa, será eleita apenas a metade da direção da Previ que é indicada pelo voto dos funcionários. A outra metade, assim como a presidência, é nomeada pelo Banco do Brasil e, portanto, pelo governo. Por isso, o executivo Sérgio Rosa, ligado ao ex-ministro Luiz Gushiken, continuará à frente da Previ pelo menos até o fim do governo Lula. E é também por isso que ele aposta todas suas fichas na vitória da chapa ?Unidade na Previ? na eleição dos funcionários. Assim, mesmo com uma eventual derrota do PT nas eleições presidenciais, Rosa manteria sua influência sobre a Previ. Nessa chapa, ele conseguiu até o apoio de um velho adversário ? ninguém menos que Valmir Camilo, o presidente da associação nacional dos funcionários.
Ainda que a chapa de Rosa e Camilo seja a favorita, a briga não será fácil. Um dos aliados da Unidade na Previ, o bancário Odali Dias Cardoso, que representa uma associação de antigos funcionários do banco, com 32 mil filiados, já vem sendo investigado pela comissão de ética, porque teria sido ?cooptado? por Rosa e Camilo. ?Eles têm jogado muito pesado e não há como negar que o clima no Banco do Brasil é de guerra?, diz Carlos Inning, que coordena a chapa ?Previ Acima de Tudo?, que tem chances reais de derrotar o grupo de Sérgio Rosa. Uma das líderes do grupo da situação, a bancária Cecília Garcez, do PPS, desconversa e minimiza as disputas do seu partido, que prega o impeachment de Lula, com o PT. ?Há diferenças, mas é melhor compor do que ficar de fora?, diz ela. ?E ninguém faz o que quer na Previ; tudo é negociado?.
Negociado ou não, o fato é que essa eleição poderá também reabrir velhas feridas. À frente da Previ, Sérgio Rosa teve que responder na CPMI dos Correios por suspeitas nos investimentos com viés político. ?Quero que me expliquem como a Previ deixou a Telemar investir R$ 5 milhões na empresa do filho do Lula?, diz o servidor aposentado Fernando Tollendal, coordenador da chapa ?Nação Brasil?. Ele também argumenta que o superávit de R$ 18,9 bilhões que Rosa aponta em sua gestão estaria inflado por conta de erros de avaliação na contabilização de ações da Vale do Rio Doce.
Aliás, é o superávit da Previ que norteia toda a campanha. O valor oficial de R$ 18,9 bilhões foi dividido em dois: R$ 11,6 bilhões que é uma reserva de contingência e R$ 7,3 bilhões, usados para aumentar aposentadorias. Mas ainda é motivo de briga. O Banco do Brasil quer uma parte para reduzir o valor das contribuições, os aposentados querem usá-lo todo para o aumento de seus proventos. Nessa disputa surgiram outras quatro chapas: a ?Renovar para o Futuro?, formada por técnicos, a ?Nossa Previ?, outra chapa coorporativa, a ?Dignidade e Coerência na Previ?, formada pela esquerda do PT e pelo PC do B, e a ?Previ para Associados?, composta por bancários do Psol e do PSTU. ?O problema da Previ é que ela está dividia politicamente?, diz Lessivan Marcos, coordenador da campanha da chapa da Dignidade e Coerência. ?Somos a melhor porque somos técnicos e não temos qualquer interesse político?.