11/08/2004 - 7:00
Quem pede, tem preferência. Quem se desloca, recebe?. A máxima do falecido treinador carioca Gentil Cardoso, filósofo do futebol, ajuda a definir o sucesso da TopSports, empresa de marketing esportivo criada por jovens que largaram carreiras no mercado financeiro para inventar um modo de fazer dinheiro na televisão. A jogada é simples: trata-se de comprar os direitos de exibição de grandes eventos esportivos, como a NBA e a Liga de Campeões da Europa, e oferecê-los às emissoras abertas. Além disso, e essa é a boa sacada, criaram o ?Esporte Interativo?.
Já não se trata apenas de garantir ao patrocinador os 30 segundos do intervalo comercial. Criaram jogos, produziram um site (www.esporteinterativo.com.br) e já respondem por 15% das mensagens enviadas por celular para programas de TV, num total de 700 mil telefonemas. Em junho, na RedeTV!, que tem contrato de exclusividade com a TopSports, os telespectadores participaram de uma espécie de ?Você Decide?, ao eleger a partida da Liga de Campeões que gostariam de assistir. ?Unimos a paixão pelo esporte com nosso conhecimento de parceiros no mercado financeiro?, resume Leonardo Lenz César, diretor executivo e um dos criadores da empresa, ex-funcionário do BankBoston. Em 1998, Lenz uniu-se a outros dois amigos: Edgar Chagas Diniz (ex-GP Morgan) e Carlos Henrique Moreira (ex-Nike). Em seguida vieram outros dois sócios, Sérgio Lopes e Rodrigo Santos, todos com conexões nas finanças.
Depois da associação com a TopSports, a RedeTV! só teve bons lances. São 320 horas de esporte por ano ? mais que a Globo, que põe no ar 250 horas. Em 2004, 5 das 10 maiores audiências da emissora são deles. A projeção de faturamento, este ano, é de R$ 15 milhões. Atraíram, para a iniciativa, anunciantes de peso como a Gillette, a Motorola, a Claro, os Correios e a Petrobras. ?É um novo formato de propaganda, feito de promoções e não de anúncios?, diz Alexandre Toledo, gerente de marketing da Gillette. O que torna essa turma da TopSports diferente, além da originalidade dos serviços interativos, é o modo de trabalho. Eles representam os jovens empreendedores (nenhum deles tem mais de 35 anos) que, saídos das bancas, foram buscar dinheiro no mercado (são R$ 4,5 milhões de quinze acionistas) para o capital de risco numa idéia inovadora. Nos próximos três anos, estima-se que outros R$ 20 milhões em investimentos caiam na rede dos garotos. Pediram, e tiveram preferência. Se deslocaram, e receberam.