Vai longe o tempo em que os brasileiros tinham de recorrer a amigos em viagem internacional para conseguir produtos estrangeiros a preços razoáveis. Hoje, eles estão por toda parte, em ofertas que muitas vezes concorrem com os free shops, as lojas dos aeroportos que vendem artigos importados livres de impostos. Quer um Johnnie Walker Blue ou um Channel número 5? Vá até o shopping, lá tem. A variedade é tanta que forçou o empresário Jonas Barcelos Corrêa Filho a ampliar os negócios. Barcelos é dono do Brasif, grupo que controla free shops em dez dos 11 aeroportos internacionais do País. O primeiro passo é a rede de lojas nos saguões e partes externas dos aeroportos, a Brasif Shopping. Em seguida, vai levar o projeto a bairros com população de maior poder aquisitivo. Além disso, colocará no ar um portal de vendas pela Internet. Também fechou contrato com a Varig para oferecer em vôos internacionais o serviço de duty-free. Nos vôos nacionais, os passageiros poderão encomendar por catálogo e receber as compras em casa. ?Vou cercar o consumidor por todos os lados?, avisa o empresário.

As estatísticas revelam o motivo das preocupações de Barcelos. Dos 8,8 milhões de passageiros de vôos internacionais que no ano passado saíram ou entraram no Brasil via Guarulhos, em São Paulo, e Galeão, no Rio de Janeiro, apenas 1,4 milhão pararam para fazer compras no free shop. Isso não significa que a Brasif esteja no prejuízo. Ao contrário. Em 2000, a empresa faturou US$ 190 milhões só com os free shops. Mas para retomar o patamar de 1997, quando vendeu US$ 325 milhões, e ficar menos suscetível às oscilações do dólar, Jonas decidiu diversificar. Com o portal www.Brasif.com.br, a rede pretende ampliar um serviço já disponível, mas pouco conhecido: o pre-order. No site www.flydutyfree.com.br quem for para o exterior poderá fazer encomendas que serão pagas e retiradas só na hora do desembarque.

 

O mineiro Jonas é discreto. Os amigos costumam chamá-lo de Jonny. Entre eles, está o senador Jorge Bornhausen. Até hoje, há quem diga que o político é sócio na Brasif. O empresário explica a confusão: ?Ele foi vice-presidente quando perdeu as eleições em Santa Catarina, em 1990. Era apenas um emprego?, conta. O ilustre empregado ficou apenas dois anos e foi integrar o governo Fernando Collor. Jonas começou a montar seu império em 1979, quando ganhou a primeira concorrência para o aeroporto do Galeão. Ajudou, e muito, a sociedade com a inglesa Alders. A empresa administrava o free shop do aeroporto de Heathrow, em Londres, e tinha 1.500 lojas na Europa. Nas concorrências seguintes a Brasif entrou sozinha.

Em pouco tempo Jonas já tinha feito contato com a rede de fornecedores e acabou comprando os 40% da Alders. ?Além dos US$ 48 milhões que já gastamos na construção e modernização das lojas, pagamos US$ 60 milhões no ano passado de taxas?, diz Jonas. A Brasif é sediada em Miami e tem escritórios em Nova York, Houston, Ilhas Cayman, Londres, Bruxelas, Luxemburgo, Tóquio, Cingapura e Hong Kong, onde fica um ?olheiro? encarregado de descobrir as novidades eletrônicas. Apesar da importância, as lojas não são o único negócio de Jony. Hoje, além de ser grande revendedor de tratores e máquinas pesadas, ele é também um dos maiores criadores de gado nelore, com duas fazendas em Minas, uma em São Paulo, uma no Mato Grosso e outra no Texas, Estados Unidos. ?O faturamento desses outros negócios chega a US$ 100 milhões?, diz Jony. A cifra tende a aumentar. O empresário acaba de fechar acordo com a fábrica de chocolates suíça Lindt, para abrir lojas exclusivas do produto. ?Em breve vamos anunciar novas parcerias com grifes de renome?, promete Jonas.