23/09/2026 - 13:13
O JPMorgan avalia que o setor financeiro brasileiro já começou a precificar um cenário político mais equilibrado, faltando poucos dias para as eleições presidenciais. No entanto, o otimismo pleno ainda está distante, segundo relatório divulgado nesta semana.
Da IstoÉ
O que aconteceu
- O JPMorgan indica que o setor financeiro brasileiro precifica equilíbrio político, mas não otimismo total.
- A instituição aponta BTG Pactual, XP e B3 como as melhores escolhas para capturar melhorias macroeconômicas pós-eleição.
- Apesar do bom desempenho de alguns ativos, o ciclo de crédito e as incertezas regulatórias limitam o entusiasmo geral no setor bancário.
A instituição continua enxergando as empresas ligadas ao mercado de capitais como a melhor forma de capturar uma eventual melhora do ambiente macroeconômico após a eleição. A preferência permanece concentrada em BTG Pactual (BPAC11), XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3), que foram os grandes destaques do setor nas últimas semanas.
O banco observa que XP, BTG e B3 avançaram cerca de 26%, 24% e 23%, respectivamente, no último mês, superando com folga o desempenho do Ibovespa. Para os analistas, o movimento sugere que o mercado passou a atribuir maior probabilidade a um cenário de redução do custo de capital e de retomada gradual da atividade econômica.
Na visão do JPMorgan, as ações de mercado de capitais aparecem como as maiores beneficiárias de um eventual cenário mais favorável ao mercado.
O banco destaca que o BTG Pactual segue sendo sua principal escolha no setor financeiro por apresentar capacidade de execução em diferentes cenários macroeconômicos. Já a XP e a B3 continuam sendo os ativos mais diretamente expostos a uma retomada dos mercados de capitais e a um ambiente de juros mais baixos.
A avaliação da equipe é que esses ativos já embutem um cenário intermediário, próximo de uma probabilidade de 50% para cada direção do resultado eleitoral. Contudo, ainda não refletem plenamente uma melhora estrutural da percepção sobre o Brasil.
Itaú é o favorito entre os bancos tradicionais?
Olhando para os bancos tradicionais, o JPMorgan continua vendo o Itaú Unibanco (ITUB4) como o nome mais bem posicionado. O argumento é que a instituição combina resiliência em um cenário mais desafiador com capacidade de capturar ganhos em um ambiente mais benigno. Segundo o JPMorgan, a diversificação das receitas, a disciplina na concessão de crédito e a qualidade dos ativos fazem do Itaú a melhor combinação entre defesa e potencial de valorização dentro do setor.
O Bradesco (BBDC4) também aparece relativamente bem posicionado na análise. No entanto, o JPMorgan destaca que a ação continua ficando atrás dos papéis mais ligados ao mercado de capitais, mesmo sendo uma das alternativas para investidores que buscam exposição ao debate sobre queda de juros.
Crédito ainda limita maior entusiasmo
Apesar da melhora recente das ações, o setor bancário continua convivendo com dúvidas importantes. Segundo o JPMorgan, o principal freio para uma recuperação mais forte continua sendo o ciclo de crédito. O banco afirma que muitos investidores seguem preocupados com uma possível desaceleração da concessão de empréstimos, aumento das provisões e riscos relacionados à qualidade dos ativos.
Além disso, medidas macroprudenciais discutidas pelo Banco Central também aparecem frequentemente nas conversas com investidores, especialmente por causa do potencial impacto sobre linhas de crédito sem garantia.
Essa combinação ajuda a explicar por que os grandes bancos ficaram atrás de XP, B3 e BTG na recente recuperação do setor. O JPMorgan também chama atenção para o desempenho mais fraco dos bancos digitais. Tanto Nubank quanto Inter ficaram para trás no rali recente, apesar de negociarem abaixo de máximas históricas de valuation. O banco reconhece que os múltiplos parecem atrativos, mas observa que o interesse marginal dos investidores continua limitado.
Entre as principais preocupações estão justamente os riscos ligados ao ciclo de crédito e às possíveis mudanças regulatórias que poderiam afetar a rentabilidade de produtos de crédito sem garantia.
Seguradoras e pagamentos em segundo plano
Em contraste com o otimismo em relação às corretoras e à cautela seletiva com os bancos, o JPMorgan mantém uma visão mais reservada para seguradoras e empresas de pagamentos. Segundo o banco, papéis como BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) já tiveram forte desempenho ao longo do ano e oferecem uma assimetria menos favorável neste momento. A avaliação é que essas ações tenderiam a ficar para trás em um cenário de mercado mais otimista, sem oferecer uma proteção tão diferenciada em um cenário adverso.
No segmento de pagamentos, o JPMorgan reconhece que empresas como Stone e PagSeguro parecem baratas em relação ao histórico. Contudo, argumenta que o ambiente operacional continua difícil, com crescimento mais fraco e dúvidas sobre a evolução da atividade econômica.
Para o JPMorgan, o mercado financeiro brasileiro vive atualmente uma situação intermediária. As ações ligadas ao mercado de capitais já refletem parte de um cenário de melhora de expectativas, mas ainda não precificam totalmente um ambiente de juros mais baixos e crescimento mais forte. Por outro lado, os bancos continuam limitados pelos riscos de crédito e pelas incertezas regulatórias.
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