10/09/2026 - 9:24
O banco JPMorgan mantém uma postura cautelosa em relação às ações de pequena e média capitalização (small caps) da América Latina, priorizando grandes exportadoras de commodities. A decisão do banco é fundamentada em um cenário de juros elevados e deterioração do ciclo de crédito no Brasil, além da incerteza política para as eleições de 2026.
O que aconteceu
- O JPMorgan mantém sua postura cautelosa em relação às small caps da América Latina, especialmente no Brasil, devido aos juros elevados e à piora do crédito.
- A instituição financeira prefere a exposição a empresas de grande porte, ligadas à exportação de commodities, que oferecem maior liquidez e solidez.
- Mesmo com os múltiplos descontados das small caps brasileiras, o cenário macroeconômico e a incerteza eleitoral limitam o potencial de reavaliação.
Em relatório global sobre empresas de menor capitalização, o JPMorgan afirmou que continua preferindo ações de grande porte, ligadas a commodities e exportação, em detrimento do universo de small e mid caps latino-americanas. Segundo a instituição, as condições financeiras seguem restritivas na maior parte da região, limitando uma reprecificação mais consistente das companhias voltadas ao mercado doméstico.
Para o JPMorgan, o ambiente atual ainda favorece empresas com maior liquidez, balanços mais sólidos e lucros mais previsíveis, características normalmente encontradas entre as grandes companhias da Bolsa.
Por que a cautela com o brasil?
No recorte regional, o banco seguiu posição neutra no mercado acionário brasileiro. A avaliação é que o ciclo de afrouxamento monetário está mais próximo do fim, enquanto a atividade econômica perde força e o ciclo de crédito mostra deterioração.
Os estrategistas do JPMorgan também destacam que a aproximação das eleições presidenciais aumenta a incerteza dos investidores. Isso ocorre em um momento em que o real apresenta um dos maiores retornos de carregamento entre moedas emergentes, mas já se encontra em uma posição considerada “sobrecomprada” por parte do mercado.
Segundo o relatório, esse conjunto de fatores tende a tornar o mercado brasileiro mais vulnerável a episódios de volatilidade nos próximos meses. Ainda assim, o banco reconhece que o Brasil continua sendo um dos principais candidatos a se beneficiar do que chama de “bônus eleitoral”, juntamente com Chile e Argentina, caso as expectativas de políticas mais ortodoxas e comprometidas com ajuste fiscal ganhem força ao longo do próximo ano.
Small caps: baratas, mas ainda arriscadas?
Apesar da cautela macroeconômica, o relatório mostra que as small caps latino-americanas continuam negociando com múltiplos descontados. No caso do Brasil, o banco aponta que as empresas de menor capitalização negociam próximas de 12 vezes lucro, abaixo das médias históricas, além de apresentarem dividend yield (rendimento de dividendo) elevado e geração de caixa atrativa.
Entre os mercados latino-americanos, as small caps aparecem com algumas das métricas de valuation mais baratas do mundo. Contudo, o JPMorgan argumenta que isso, por si só, ainda não é suficiente para justificar uma alocação mais agressiva, sendo o principal obstáculo o nível dos juros.
“Nosso estrategista para a região mantém uma postura taticamente cautelosa em relação a empresas de pequeno e médio porte (SMid-Caps) até setembro. Embora os valuations em todo o segmento não estejam excessivos, o cenário macroeconômico continua favorecendo a exposição a empresas de grande porte (large-caps), particularmente nos setores ligados a commodities, que permanecem sustentados por maior visibilidade de lucros, tendências de demanda global e interesse de investidores estrangeiros”, destaca o JPMorgan.
Ao mesmo tempo, as taxas de juros em grande parte da região permanecem elevadas, mantendo as condições financeiras restritivas e limitando o potencial de uma reavaliação significativa (re-rating) de empresas de pequeno e médio porte voltadas ao mercado interno.
Quais setores o banco recomenda?
Para a equipe de estratégia do JPMorgan, diante do ambiente global atual, os investidores devem privilegiar companhias ligadas a commodities e exportações. O banco destaca que o cenário de petróleo mais elevado, infraestrutura global, investimentos relacionados à inteligência artificial e possíveis impactos climáticos sobre a oferta de matérias-primas continuam sustentando preços favoráveis para diversos produtos básicos.
Nesse contexto, o relatório afirma que a elevada participação de setores ligados a commodities nos índices latino-americanos acaba favorecendo as empresas de grande porte da região, especialmente em países exportadores como Brasil, Chile e Peru.
Para o mercado brasileiro, embora o “trade eleitoral” possa continuar apoiando os ativos locais, o JPMorgan entende que o melhor posicionamento segue concentrado nas grandes empresas exportadoras e em companhias de perfil defensivo. As small caps dependem de um cenário mais favorável para juros, crédito e crescimento doméstico para voltar a atrair fluxos de forma mais consistente.
Leia mais
“Taxa das blusinhas”: Lula sanciona MP que acaba com cobrança
Herdeiros não pagam dívidas do falecido com patrimônio próprio; entenda
Conflito com o Irã “pode se estender” até o fim do mandato de Trump, alertam assessores
Governo amplia subsídio ao diesel e reduz impostos de combustíveis
Trump promete “dividendo” de US$ 5 mil a adultos caso republicanos vençam eleições
Toyota RAV4 ganha versão híbrida PHEV de 329 cv por R$ 399.990; veja detalhes e equipamentos
