05/08/2015 - 17:04
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considera possível que a Grécia alcance um acordo com seus credores, “preferencialmente antes de 20 de agosto”, pois as negociações avançam de forma “satisfatória”, declarou em entrevista à AFP.
“Todos os informes que chegam a mim me permitem pensar que será possível concluir um acordo em agosto, preferencialmente antes do (dia) 20” para conceder a Atenas um terceiro resgate, assegurou.
Até esta data, a Grécia precisa reembolsar 3,4 bilhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE).
Representantes dos credores de Grécia, União Europeia, BCE e Fundo Monetário Internacional (FMI) estão em Atenas há uma semana preparando este novo empréstimo de mais de 80 bilhões de euros em três anos.
Para Juncker, “as negociações avançam de forma satisfatória”, tanto do ponto de vista das autoridades gregas quanto da Comissão Europeia.
O ministro das Finanças grego, Euclidis Tsakalotos, disse na terça-feira que confia conseguir um novo empréstimo antes de 20 de agosto.
Caso não seja obtido até esta data, “teremos que recorrer pela segunda vez ao mecanismo do financiamento ponte”, através do qual a UE já concedeu um empréstimo urgente de 7 bilhões de euros à Grécia em julho passado, explicou.
Por outro lado, minimizou as diferenças entre a Comissão Europeia e o FMI, que condiciona sua participação no novo resgate ao perdão de uma parte da dívida grega.
“Acho que exageram um pouco as diferenças de opinião”, disse Juncker, lembrando que o FMI está em Atenas.
“O acordo entre as instituições envolvidas é muito bom”, acrescentou Juncker, antes de se referir à eventualidade de uma saída da Grécia da zona do euro, como se chegou a especular nas negociações de julho passado.
“Fiz de tudo para que a hipótese simplista não se concretizasse”, disse Juncker, referindo-se à “Grexit”, defendida pelo ministro das Finanças da Alemanha.
“Se tivesse sido excluído o país mais frágil, os mercados teriam buscado” o seguinte, disse Juncker.
“Não encontrei ninguém que tivesse me explicado detalhadamente a sequência de consequências” no caso da exclusão da Grécia da zona do euro, acrescentou Juncker, defendendo, ao contrário, a solidariedade.
“Só posso incitar os Estados-membros da zona do euro a não parar de refletir sobre o aprofundamento da governança econômica”, disse.
“A lição dos problemas gregos não é baixar os braços, mas arregaçar as mangas”, acrescentou Juncker.
No entanto, ele disse ser necessário reduzir “as divergências estruturais entre países-membros e não membros da zona do euro”, em particular o Reino Unido.
Com relação ao referendo britânico sobre o futuro da Grã-Bretanha na União Europeia, previsto antes de 2017, Juncker não se mostrou preocupado.
“A Comissão trabalha por um acordo conveniente” com Londres, disse.
“Chegaremos a um acordo com os britânicos porque o povo britânico tem a particularidade de ter uma visão pragmática quando se trata das coisas essenciais”, previu Juncker.
A respeito da crise migratória que a União Europeia vive, Juncker pediu que se resista ao “populismo”.
“Há momentos na política em que não se deve seguir os populistas, porque senão se acaba sendo populista”, disse Juncker, lembrando que os governos têm a “obrigação de agir” para resolver a situação das dezenas de milhares de refugiados que chegam à Itália e à Grécia.
Neste sentido, confessou sua “decepção” diante das dificuldades para conseguir uma solidariedade entre os países sobre o tema da migração.
“Não há ‘boa’ política neste tema. É preciso tentar estender pontes entre as ideias nobres e a realidade de diferentes situações políticas entre os Estados-membros”, explicou.
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