11/12/2015 - 16:52
Os juros futuros tiveram mais um dia de alta nesta sexta-feira, 11, principalmente nos contratos de longo prazo, refletindo o aumento da aversão ao risco dos investidores após o alerta do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que “está fora” se houver mudança da meta fiscal para zero em 2016. A informação, apurada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, junto a fontes, e que puxou as taxas desde a abertura, foi recebida com preocupação pelos investidores que já vinham tensos com o alerta da Moody’s de que pode rebaixar a nota soberana do Brasil nos próximos três meses, feito na quarta-feira.
Ao término da sessão regular, o DI abril de 2016 encerrou em 14,680%, de 14,620% no ajuste de ontem, e o DI julho subiu de 15,19% para 15,22%. O DI janeiro de 2017 fechou em 15,99% (15,98% no ajuste) e o DI janeiro de 2018, em 16,33%, estável. O DI janeiro de 2018 terminou em 16,00%, de 15,88%.
Em conversa com representantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO), ontem, Joaquim Levy admitiu
que poderá deixar o governo caso seja aprovada a proposta, defendida por uma ala do governo, de reduzir a zero a meta de superávit primário para o próximo ano, fixada por ele em 0,7% do PIB. “Se zerar o superávit, estou fora”, disse Levy aos presentes ao encontro, realizado no Ministério da Fazenda, conforme relato ao Broadcast. Hoje, em reunião do Confaz em Maceió, ele disse que a discussão em torno dessa possibilidade é “um pouquinho irrelevante”. E foi enfático ao afirmar que uma possível revisão da meta do ano que vem trará uma série de repercussões negativas ao País.
Diante disso, o mercado acompanha de perto a movimentação do ministro nesta sexta-feira de agenda intensa. No final desta tarde, Levy participaria de seminário em São Paulo e à noite, de um jantar oferecido pela Abimaq, também na capital paulista. Ele cancelou sua participação no seminário, em decorrência de um atraso no embarque de Maceió para Brasília, segundo a assessoria, que, contudo, não informou se o ministro embarcará para a capital paulista ainda hoje. Mas, segundo fontes, Levy teria sido chamado pela presidente Dilma ao Planalto para falar sobre a meta de 2016.
O noticiário em torno do quadro fiscal para o próximo ano só aumenta a expectativa do mercado pela votação do Orçamento de 2016 no Congresso no dia 16. Nesta tarde, o relator-geral do Orçamento de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que vai manter o corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família, correspondente a 35% do total do programa, para garantir o cumprimento do superávit primário de 0,7% do PIB em 2016. “Entendemos que é necessário fazer esses cortes, infelizmente não tem outra solução”, disse Barros.