08/05/2015 - 17:22
O firme recuo do dólar ante o real foi um dos principais fatores para a baixa das taxas dos contratos futuros de juros com prazos mais longos hoje. Do exterior, houve ainda a contribuição dos Treasuries. “Os yields dos Treasuries voltaram bastante da máxima de ontem até agora. Na quinta-feira, 7, o T-Note de 10 anos chegou a marcar 2,32% e, há pouco (durante a tarde), ele estava em 2,11%. É muita coisa”, destacou o trader de renda fixa Klaus Nery Teixeira, da Quantitas Asset. “O mercado também bate forte no dólar hoje e há o raciocínio de que, se o Banco Central elevar a Selic tanto agora (nos próximos meses), em algum momento a inflação vai ceder e, lá na frente, a taxa básica poderá cair”, acrescentou o profissional.
Entre os contratos de prazos curtos, os movimentos das taxas foram mais contidos, com os investidores visualizando a tendência de o Copom, de fato, continuar elevando a Selic nos próximos dois encontros, em junho e julho, já que a inflação segue alta. Os números de hoje, no entanto, não são necessariamente ruins. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril indicou inflação de 0,71% – um porcentual alto, mas abaixo da mediana de 0,75% esperada pelo mercado. No acumulado de 12 meses, porém, a inflação oficial está em 8,17% e, nos quatro primeiros meses de 2015, em 4,56% (já acima do centro da meta de 4,5% do governo).
No fim da sessão regular da BM&FBovespa, a taxa do DI para julho marcava 13,341%, ante 13,339% do ajuste de ontem, enquanto o contrato para janeiro de 2016 tinha taxa de 13,77%, ante 13,79%. Entre os intermediários e longos, o DI para janeiro de 2017 marcava 13,52%, na mínima, ante 13,63%, e o contrato para janeiro de 2021 indicou 12,68%, também na mínima, ante 12,86%. Em Nova York, o T-Note de 10 anos tinha há pouco taxa de 2,1399%, ante 2,181%.
Na área de câmbio, os investidores, em especial os estrangeiros, deram continuidade ao movimento mais recente de redução de posições compradas em dólar no mercado futuro brasileiro. O gatilho para isso foram os dados decepcionantes do mercado de trabalho norte-americano, que pesaram sobre a moeda americana em todo o mundo. No Brasil, o dólar recuou de forma consistente ante o real, pela quarta sessão consecutiva, e acabou em baixa de 1,39% no balcão, a R$ 2,9820.
Pela manhã, os EUA informaram a criação de 223 mil vagas de emprego em abril, pouco abaixo dos 228 mil esperados. No entanto, o total de março foi revisado de 126 mil para 85 mil vagas, o que foi mal visto pelo mercado. A avaliação é de que a economia americana ainda está em fase de recuperação e, por isso, a alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode se dar mais tarde.