Em meio às incertezas trazidas pela Guerra no Irã, a magnitude e a duração do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) serão determinadas ao longo do tempo, diz a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Veja aqui a íntegra.

Na semana passada, o Copom decidiu pelo corte na taxa de juros de 0,25 ponto percentual, a primeira redução em quase 2 anos. Com isso, a Selic caiu para 14,75% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do comitê.

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“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, diz a ata divulgada nesta terça-feira, 24.

O BC aponta para o risco inflacionário com a guerra e reafirma a defesa da cautela sobre os próximos passos das decisões sobre a trajetória da Selic.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz.

Segundo a ata, essa decisão mantém “o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária”.

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Segundo o BC, antes do início do conflito, leituras indicavam melhora em dados de inflação, com indicadores benignos em bens industriais e alimentos, além de arrefecimento em preços de serviços, ainda que mais resilientes.

A guerra, no entanto, foi seguida de uma elevação nas expectativas de mercado para os preços à frente, destacou a autoridade monetária.

A autarquia disse manter a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda — e que requer política monetária contracionista — e a avaliação de que a política monetária “tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”.

Em relação ao aumento da isenção do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro, o Copom afirmou que continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos da medida.

Com informações da Reuters