As investigações do mega-escândalo de corrupção da Fifa “ainda estão no primeiro tempo”, mas “novas pessoas e entidades” já estão na mira da justiça americana, enquanto imóveis foram apreendidos nos Alpes Suíços, anunciaram nesta segunda-feira os procuradores gerais da Suíça e dos Estados Unidos.

Michael Lauber e Loretta Lynch aproveitaram o congresso dos procuradores de Zurique, onde a Fifa mantém sua sede, para fazer um balanço conjunto do avanço das respectivas investigações, diante de uma plateia de mais de 150 jornalistas.

Foi na cidade suíça que o escândalo estourou, em maio, quando sete altos dirigentes foram presos num hotel de luxo de Zurique, onde pretendiam participar do congresso que reelegeu Joseph Blatter pela quinta vez à frente da entidade.

Diante da forte pressão internacional, principalmente da parte dos patrocinadores, o dirigente suíço acabou colocando o mandato à disposição, mas permanece no cargo até a eleição do seu sucessor, marcada para o dia 26 de fevereiro.

Na coletiva de Lynch e Lauber, nada de revelações bombásticas. Os procuradores não quiseram citar nomes, mas deixaram claro que novos escândalos devem vir a tona nos próximos meses.

“Os contornos da nossa investigação não são limitados, e ainda esperamos poder indiciar outras pessoas e organizações”, explicou a procuradora-geral americana, que também se disse “esperançosa” de que os cartolas já detidos em Zurique serão extraditados para os Estados Unidos.

O brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF, continua preso na Suíça, aguardando a decisão da justiça local sobre o pedido de extradição dos americanos.

Até agora, apenas um dos detidos de Zurique aceitou a extradição, Jeffrey Webb, ex-vice-presidente da Fifa e presidente da Concacaf.

No total, 14 pessoas foram indiciadas, nove altos dirigentes da entidade e cinco empresários do ramo do marketing esportivo.

De acordo com a investigação americana, o esquema de corrupção movimentou cerca de 150 milhões de dólares nos últimos 25 anos.

Quando foi perguntada se Blatter também será ouvido, Lynch preferiu usou o humor para desviar o foco ao afirmar que “não está a par do cronograma de viagens” do suíço de 79 anos.

Lauber revelou, por sua vez, que “ativos financeiros foram apreendidos, inclusive apartamentos nos Alpes Suíços”.

“Investimentos imobiliários podem ser usados para lavar dinheiro”, explicou o procurador, antes de ressaltar que foram registradas movimentações suspeitas em 121 contas bancárias do país.

O procurador saudou a colaboração dos bancos, que “cumprem suas obrigações, mas explicou que “ainda é cedo para divulgar o montante exato dos ativos apreendidos”.

“Prefiro não dar essa informação por motivos táticos”, justificou.

Lauber divulgou apenas um número: 11 terabytes. Trata-se da enorme quantidade de dados informáticos apreendidos, que levou o procurador a utilizar uma metáfora futebolística.

“Este caso demorará muito mais do que 90 minutos. Não estamos nem perto do intervalo entre o primeiro e segundo tempo. Estamos procurando meios de acelerar o processo, mas temos muita informação para processar”, admitiu.

Lynch compartilha uma esperança com Lauber: “queremos que todas as pessoas envolvidas no futebol, este belo esporte através do qual ensinamos o fair-play às nossas crianças, se comprometam em reformar e respeitar as regras do jogo”.