15/05/2011 - 22:42
A juíza Melissa Jackson, do Tribunal Penal de Nova York, negou nesta segunda-feira ao diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, o direito de aguardar seu julgamento em liberdade, através do pagamento de fiança.
Strauss-Kahn havia oferecido entregar seu passaporte e pagar uma fiança de um milhão de dólares e permanecer em Nova York na casa de sua filha até a próxima audiência prevista em 20 de maio.
A juíza Melissa Jackson, no entanto, considerou que Strauss-Kahn, acusado de agressão sexual e tentativa de estupro contra a camareira de um hotel, deve permanecer detido porque há “risco de fuga”.
A promotoria argumentou que o veterano político francês não tem um incentivo para permanecer nos Estados Unidos até o julgamento, tendo à disposição plenos recursos para ir embora se assim o desejar.
Strauss-Kahn “é cidadão da França, país que não extradita seus cidadãos para os Estados Unidos. Se ele viajar para a França, não teremos mecanismos legais para garantir seu regresso”, indicou o promotor no tribunal.
Além disso, os promotores destacaram o fato de que Dominique Strauss-Kahn já se envolveu no passado em situação semelhante “pelo menos uma vez”, o que configuraria antecedente penal.
“Há informações de que ele já foi associado a uma conduta semelhante a esta em pelo menos mais uma ocasião”, declarou o magistrado de acusação.
A polícia obteve ainda uma nova ordem judicial para poder examinar a roupa de Strauss-Kahn para encontrar sinais de DNA, como cabelos ou esperma, e comprovar se ele teve arranhões pelo corpo produzidos pela vítima, com foi especulado pela imprensa americana.
Strauss-Kahn se apresentou ao meio-dia – com ar abatido, vestindo um sobretudo escuro e camisa clara – à juíza Jackson, em uma sala de audiências repleta de jornalistas. Considerado um dos homens mais poderosos do mundo, o diretor do FMI viu-se sentado em um banco de madeira junto a acusados de outros crimes.
A próxima audiência do caso foi marcada para a próxima sexta-feira, 20 de maio. Até lá, o acusado permanecerá sob custódia da justiça americana.
O diretor do Fundo Monetário Internacional negou todas as acusações apresentadas contra ele na corte, que incluem agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro.
A pena máxima para as sete acusações apresentadas contra ele é de 74 anos e três meses de prisão.
Benjamin Brafman, um de seus advogados, disse estar “decepcionado” com a decisão judicial, mas afirmou que “a batalha está apenas começando”.
Strauss-Kahn foi preso no sábado, poucos minutos antes de decolar para a Europa em um voo da Air France do aeroporto JFK em Nova York. Ele foi acusado de tentativa de estupro pela camareira de um hotel da rede Sofitel.
Segundo uma fonte do grupo Accor, dono do Sofitel, Strauss-Kahn deixou o hotel entre as 12h28 e 12h38 de sábado, minutos após a suposta agressão.
“A funcionária da limpeza entrou em seu quarto ao meio-dia, e ele fez o check-out entre as 12h28 e 12h38 no horário local”, indicou esta fonte, que pediu para não ser identificada.
O grupo Accor confirmou oficialmente que o diretor-gerente do FMI disse à recepcionista que estava deixando o hotel, mas negou-se a informar por quanto tempo ele pretendia permanecer hospedado.
A fonte ouvida pela AFP, entretanto, explicou que uma vez que um hóspede passa pelo procedimento de check-out, é impossível retornar ao quarto.
Benjamin Brafman garantiu que seu cliente não saiu em fuga do hotel, afirmando que ele saíra apenas para almoçar.
“A razão pela qual saiu apressado é que tinha um horário marcado para almoçar com uma pessoa, que deporá no caso”, declarou o advogado perante a juíza nesta segunda-feira.
Na França, o escândalo tem ocupado as manchetes dos principais jornais e foi um duro golpe para a esquerda, que tem pedido para que seja respeitada a hipótese de inocência do acusado, algo que também foi defendido pela direita francesa.
A detenção de Strauss-Kahn acontece no momento em que a Zona do Euro luta para sair da crise da dívida soberana que já levou à quebra de três de seus membros (Grécia, Irlanda e Portugal).
O FMI confirmou nesta segunda-feira que reunirá seu conselho de administrção pela tarde “de maneira informal” para manter o processo contra seu diretor.
Nos mercados, as principais bolsas europeias encerraram o pregão de segunda-feira no vermelho, com exceção a Madrid, que registrou um leve avanço graças ao retorno do otimismo pela situação da crise da dívida na Grécia.
“Durante ao menos alguns dias, os mercados vão temer uma paralisia de direção do FMI”, declarou o analista de divisas na UBS, Garth Berry, à Dow Jones Newswires.
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