14/05/2015 - 14:04
Os últimos capítulos da luta entre Barcelona e Real Madrid pelo título espanhol chegaram a ser ameaçados, mas vão acontecer, como o previsto, nos próximos fins de semana, porque a justiça espanhola resolveu suspender nesta quinta-feira a greve convocada pelos jogadores.
O tribunal considerou em sua decisão que a greve, convocada pela associação de jogadores em protesto pela aprovação governamental de um novo sistema de distribuição dos direitos de TV, “impediria a conclusão do campeonato” da Liga “nas datas indicadas, o que provocará um grave desordem organizacional, cuja resolução é muito difícil”.
Esta é uma decisão cautelar, já que o tribunal não se pronunciará sobre o fundamento da questão até junho, ou o tribunal.
O sindicato de jogadores AFE anunciou na semana passada uma greve por tempo indeterminado a partir de sábado, 16 de maio. A Liga de Futebol Profissional (LFP), administrada pelos clubes da primeira e segunda divisão, recorreu à justiça por considerar o protesto ilegal.
“Haverá futebol”, confirmou o presidente da LFP, Javier Tebas. No caso de greve, as duas últimas rodadas do campeonato espanhol não poderiam ser disputadas.
O país ficaria sem conhecer o campeão, com o título muito próximo do Barcelona, que precisa apenas de uma vitória para ser campeão, nem os times rebaixados para a segunda divisão.
Também estava em risco a final da Copa do Rei, marcada para 30 de maio entre Barcelona e Athletic de Bilbao. A LFP havia calculado em 50 milhões de euros os prejuízos por cada rodada de greve.
A origem do conflito é a nova venda centralizada dos direitos de televisão e sua distribuição, contra o atual modelo no qual cada clube negocia de maneira separada, como acontece no Brasil, o que favorece os grandes como Barcelona e Real Madrid.
A LFP espera aumentar a arrecadação global com a venda desses direitos, hoje muito inferior à Premier League inglesa, que vendeu recentemente a transmissão de 2016 a 2019 por sete bilhões de euros, 2,3 por ano, contra 784,6 milhões do Campeonato Espanhol nesta temporada.
O Real e o Barça levam praticamente a metade do bolo, 140 milhões cada, deixando apenas migalhas aos rivais.
Por isso, a distribuição do faturamento não agradou a todos e a Federação de Futebol (RFEF) decretou uma paralisação a partir de 16 de maio. A AFE acompanhou e anunciou uma greve. As duas entidades querem mudanças no decreto.
“Temos que acatar esta decisão, mas os problemas continuam, por isso estamos negociando”, avisou Luis Rubiales, presidente da AFE.
Após tomar conhecimento da decisão judicial, a RFEF também acabou com a suspensão que tinha decretado para todas as competições a partir deste fim de semana.
Com a certeza de que as últimas rodadas do campeonato nacional serão mantidas, o governo também resolveu colocar panos quentes na polêmica.
“Entendemos que não há nenhum obstáculo insuperável para conseguir um acordo de fundo sobre todas as questões”, afirmou o ministro do Esporte, José Ignacio Wert.
Para a maioria dos observadores, todo este reboliço foi causado por conta de um conflito pessoal entre os dois principais cartolas do futebol espanhol, Tebas, presidente da LFP, e Angel María Villar, que está há 27 anos à frente da RFEF e é acusado pelo desafeto de se comportar como um “senhor feudal”.
“O que tem por trás disso tudo. Péssimas relações pessoais, o clima não poderia ser pior”, analisa Alberto Palomar, professor de direito especializado em esporte na Universidade Carlos III de Madrid.
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