26/05/2015 - 8:47
A justiça japonesa ordenou que as autoridades indenizem os professores penalizados por terem se negado a entoar o hino nacional, informaram nesta terça-feira os interessados, preocupados pelo aumento do nacionalismo no sistema educacional.
Um tribunal de Tóquio condenou o município a pagar 537 milhões de ienes (4,5 milhões de dólares) aos demandantes, 22 ex-professores do ensino médio.
Sua indisciplina lhes custou caro: não foram contratados novamente depois de alcançar a idade de aposentadoria, como prevê, no entanto, um programa especial.
O “Kimigayo”, hino nacional japonês desde o fim do século XIX, cuja letra está dedicada ao imperador do Japão, é para alguns um canto à glória do militarismo.
“É preciso ser prudente antes de punir alguém porque atua seguindo suas próprias convicções”, considerou o juiz Toru Yoshida, segundo a rede de televisão pública NHK.
A administração da metrópole de Tóquio “abusou de seu poder”, acrescentou, lembrando que os professores não perturbaram o desenvolvimento das cerimônias de entrega de diplomas nas quais se negaram a cantar o hino.
Eishun Nagai, de 68 anos, um dos docentes envolvidos, comemorou uma “grande decisão que pode dar um pouco de ar aos professores”.
“Depois de nossa sanção, se sentiam ameaçados e não se atreviam a expressar suas opiniões aos seus superiores”, disse, denunciando “uma educação do Estado, como ocorria até o fim da guerra”.
O primeiro-ministro Shinzo Abe, nacionalista, convocou no mês passado o respeito à prática de entoar o hino nas escolas de ensino fundamental e médio e nas universidades públicas.
Em 2012, o Tribunal Supremo decidiu que não era anticonstitucional punir os professores por se negarem a cantar, mas advertiu que o castigo mais severo não deveria superar uma simples reprimenda.
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