07/09/2015 - 14:06
A Procuradoria mexicana insistiu nesta segunda-feira que os 43 estudantes desaparecidos de Ayotzinapa foram assassinados e incinerados em um lixão, uma versão que foi questionada por uma investigação independente de especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
“No lixão foram executados, foram incinerados e posteriormente levados ao rio um número importante de estudantes”, disse à rádio Fórmula Tomás Zerón, diretor da Agência de Investigação Criminal da Procuradoria-Geral.
“As perícias dos especialistas da Procuradoria-Geral da República são contundentes”, enfatizou Zerón.
As declarações de Zerón foram feitas um dia depois de o Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) da CIDH ter questionado a versão oficial em um relatório sobre o crime, que provocou grande comoção no mundo e gerou fortes críticas ao governo de Enrique Peña Nieto.
Após seis meses de investigação, o GIEI afirma que “não existe nenhuma evidência que apoie a hipótese gerada com base em depoimentos” de que 43 corpos foram cremados durante 16 horas no lixão de Cocula (Guerrero, sul), uma comunidade próxima a Iguala, onde os jovens desapareceram em 26 de setembro do ano passado.
Com base nas conclusões do reconhecido perito peruano José Torero, os especialistas da CIDH afirmam que o fogo teria que ter durado pelo menos 60 horas e que seriam necessárias 30 toneladas de madeira e 13 de pneus, das quais não existe rastro científico no local.