12/03/2026 - 18:54
A Justiça do Trabalho determinou nesta quinta-feira, 12, a reintegração de 370 trabalhadores alvo de demissão em massa sem negociação prévia pela StoneCo, afirmou o sindicato da categoria.
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A Stone havia informado na véspera a realização de ajustes em sua estrutura, mas sem confirmar o número de trabalhadores afetados.
“A liminar foi concedida pela juíza Rita de Cássia Martinez, que reconheceu a nulidade das cerca de 370 demissões imotivadas diante da ausência de intervenção sindical prévia”, afirmou o Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd).
Segundo a entidade, a determinação da juíza envolve a reintegração dos demitidos no prazo de 10 dias.
Demissões teriam sido motivadas por IA; empresa fala em “ajuste pontual”
Na quarta-feira, 11, a Stone promoveu uma rodada de demissões que afetou principalmente o setor de tecnologia da empresa de maquininhas. Os desligamentos atingiram cerca de 3% da força de trabalho da fintech, que tem aproximadamente 14 mil funcionários. As estimativas indicam que entre 300 e 400 pessoas foram desligadas.
A empresa teria indicado que o avanço em iniciativas de inteligência artificial também teria contribuído para a decisão, conforme uma pessoa com conhecimento do processo, que pediu anonimato. Em nota, a Stone afirma ter feito um “ajuste pontual” na estrutura como parte de um processo contínuo de simplificação e ganho de eficiência.
No mesmo dia, sindicato antecipou que acionaria a Justiça do Trabalho e pediriareintegração dos trabalhadores dispensados, diante do que chama de “evidente prática antissindical”.
Em nota, o Sindpd-SP repudiou as demissões em massa. A entidade citou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que desligamentos desse tipo devem ser precedidos de negociações com o sindicato representativo da categoria.
“Ao ignorar esse princípio e realizar cortes em massa durante o período de negociação do acordo coletivo, a Stone afronta não apenas os trabalhadores atingidos, mas também o próprio sistema de relações de trabalho previsto na Constituição”, registrou na nota o Sindpd-SP.
Stone sob pressão
Na terça-feira da semana passada, a ação da Stone chegou a despencar quase 20% nas mínimas do pregão, no dia seguinte à divulgação do balanço do quarto trimestre. No ano, os papéis caem cerca de 7,95%.
A companhia enfrentou uma desaceleração no valor transacionado (TPV, na sigla em inglês) na adquirência, que cresceu 5,3% no comparativo anual, a R$ 151 bilhões, depois de ter avançado quase 9% nos três meses anteriores. O movimento foi atribuído ao cenário macroeconômico “desafiador” e a dificuldades internas, como problemas no processo de integração de novos clientes.
Investidores também esperavam mais clareza sobre a distribuição aos acionistas dos proventos oriundos da venda da Linx para a Totvs, concluída no final de fevereiro.
A Stone obteve R$ 3,08 bilhões com a operação, mas disse que definirá apenas em abril se distribuirá os recursos via dividendo ou recompra de ações.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters
