07/01/2016 - 19:28
A sede da Confederação Sul-Americana (Conmebol), em Assunção, foi revistada nesta quinta-feira, a pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que investiga o mega escândalo de corrupção que abala o futebol mundial, confirmou a procuradoria paraguaia num comunicado.
De acordo com testemunhas, o presidente interino da entidade, o uruguaio Wilmar Valdez, e o presidente da Associação paraguaia de futebol, Alejandro Domínguez, se encontravam no prédio durante a batida.
Desde maio, vários altos dirigentes do futebol sul-americano foram indiciados pela justiça americana, sob a acusação de receber propinas na venda de direitos de transmissão de competições de futebol.
“A comitiva fez uma busca de documentação relacionada a concessões de direitos comerciais e de transmissão para eventos esportivos”, explicou a procuradoria.
A sede da Conmebol tinha imunidade diplomática desde 1992, privilégio que foi retirado em junho de 2015, um mês depois da prisão em Zurique de sete altos dirigentes da Fifa, o que deu início ao escândalo.
Alfredo Montanaro, advogado da confederação sul-americana, chamou a batida na sede de “irresponsabilidade”.
“Uma revista é feita quando ninguém quer dar a documentação. Isso me parece muito estranho, porque sempre colaboramos com a justiça dos Estados Unidos, do Uruguai e do Paraguai”, criticou Montanaro, em entrevista à Rádio ABC.
Os dois últimos presidentes da Conmebol, o paraguaio Juan Ángel Napout e uruguaio Eugenio Figueredo, foram presos na Suíça, assim como o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF, que hoje cumpre prisão domiciliar em Nova York
Detido no dia 3 em dezembro, Napout foi extraditado para os Estados Unidos 12 dias depois.
Já Figueredo, preso no mesmo hotel de luxo em maio, junto com Marin, na primeira leva de detenções, foi extraditado para o Uruguai, também em dezembro.
Já o paraguaio Nicolás Leóz, que esteve à frente da entidade de 1986 a 2013, cumpre prisão domiciliar.
Entre os presidentes das dez federações nacionais do continente em 2013, ano em que a Conmebol negociou os direitos de transmissão das próximas edições da Copa América, nenhum permaneceu no cargo, e grande parte se encontra atrás das grades ou em prisão domiciliar.
Em dezembro, a justiça americana indiciou 14 dirigentes, entre eles o presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da entidade.