28/05/2015 - 17:22
A justiça espanhola processará três ex-dirigentes do governista Partido Popular (PP), acusados de manter um caixa dois por pelo menos 18 anos.
Já o PP será julgado como “responsável civil subsidiário” no mesmo processo, de acordo com os autos do juiz José de la Mata, divulgados nesta quinta-feira. A data ainda será determinada.
O juiz da Audiência Nacional (principal instância penal espanhola) acusa os ex-tesoureiros e o antigo gerente do PP, Luis Bárcenas, Alvaro Lapuerta e Cristóbal Páez, respectivamente, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e delitos contra a Fazenda.
Também serão julgados os dois diretores do estúdio de arquitetos Unifica, Gonzalo Urquijo e Belén García, e sua funcionária Laura Montero, que teria reformado a sede do PP com dinheiro sujo.
Segundo o juiz, “o caixa dois do PP funcionou pelo menos de 1990 até 2008, alimentado com caráter geral de donativos, ou contribuições feitas por pessoas ligadas a instituições beneficiárias de importantes contratos públicos, à margem da contabilidade oficial apresentada pelo partido ao Tribunal de Contas”.
Esse caixa dois teria sido usado pelo PP para pagar bônus a membros de alto escalão do partido, ou para custear a reforma da sede central, em Madri.
Hoje, o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, preside o PP.
Na época em que as irregularidades teriam sido cometidas, a legislação espanhola não considerava crime o financiamento ilegal de partidos. Por esse motivo, o PP é considerado apenas responsável civil subsidiário.
Esse escândalo de financiamento ilegal veio à tona no início de 2013, quando o jornal conservador “El Mundo” garantiu que, durante anos, Bárcenas havia pago bônus em dinheiro sujo a dirigentes do PP.
Pouco depois, o jornal “El País” publicou anotações feitas a mão, apelidadas de “os papéis de Bárcenas”. Entre os que se beneficiavam desses recursos ilegais estava o próprio Rajoy, que teria recebido até 25.000 euros anuais entre 1997 e 2008.
O chefe do governo espanhol sempre negou as acusações. Em 2013, porém, ele reconheceu que se enganou ao confiar em Bárcenas, o qual chamou de “delinquente”.
Em outubro passado, Rajoy chegou a pedir perdão pelos casos de corrupção.
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