02/07/2003 - 7:00
Antonio Kandir ficou tão conhecido como político que virou até nome de lei. Após oito anos de mandato, ele desistiu de continuar na vida pública e agora quer ser conhecido por outro motivo. ?Sou o maestro?, afirma. O estilo de tocar vários projetos ao mesmo tempo lhe rendeu o apelido ainda no tempo da faculdade quando cursava engenharia de produção na USP. Agora, ele parte para reger sua orquestra de investimentos no setor privado. Longe do Congresso há um ano, Kandir virou banqueiro, consultor e prepara-se para lançar um fundo que investirá em empresas de boa gestão. ?Não tenho planos de voltar para a política. Quero me dedicar às minhas novas atividades?, afirma Kandir, que ainda mantém o estilo de político e pensa cada palavra antes de responder.
A mais nova aposta de Kandir é o Banco de Ribeirão Preto, uma instituição de R$ 120 milhões em ativos que consolidou sua marca ao especializar-se em conceder crédito para os comerciantes da cidade. Há dois meses, Kandir tornou-se sócio do banco e comprou 5% de participação. Com Kandir como acionista e principal negociador, a instituição quer explorar as áreas de investimento e financiamento ao comércio exterior. Apesar de o banco estar expandindo seus negócios, analistas acreditam que a instituição não tem muito espaço para crescer. ?O banco dificilmente se transformará numa marca nacional?, afirma Rodrigo Indiani, analista da Austin Asis.
Para fazer jus ao apelido de ?maestro?, Kandir quer tocar outros instrumentos. O ex-deputado tem conversado com investidores nacionais e estrangeiros para levantar recursos para constituir um fundo de private equity, que investe em empresas como sócio capitalista. ?Gasto a maior parte do meu tempo nesse projeto?, diz. Kandir já está na fase de seleção dessas empresas e usará seu lado de consultor para fazer a escolha. Ele faz parte do conselho de três empresas e vai ampliar suas atividades ao firmar parceria com a Galleazi e Associados, especializada em reestruturar empresas.
Kandir mantém a maior parte de seu tempo envolvido nos seus novos projetos como homem de negócios. Há três meses, no entanto, aceitou o convite do amigo Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo, para integrar o Conselho de Relações Exteriores, que cuida dos incentivos à exportação. ?É o meu lado de homem público?, diz. Kandir, de 50 anos, tem uma longa história na política. Ajudou no Plano Collor e foi ministro do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso. Ficou conhecido pela polêmica Lei Kandir, que permite às empresas receber de volta o ICMS. No ano passado, desistiu de concorrer a outro mandato. ?O Congresso precisa de articuladores neste momento. Não teria espaço pra mim, que sou um formulador?, justifica. Kandir não parece sentir saudade da vida em Brasília. Pelo menos por enquanto. ?Estou motivado com esses novos projetos mais do que se estivesse na vida pública?, garante.