O fantasma da falência ronda um dos mais ousados empresários europeus do setor de mídia: Leo Kirch, 75 anos, dono de um império avaliado em US$ 12 bilhões. Sob o guarda-chuva da Kirch Holding estão jornais, revistas e emissoras de televisão. Ele também detém os direitos de transmissão da Copa do Mundo e da Fórmula 1, além do maior e mais lucrativo acervo de filmes do mundo, fora dos Estados Unidos. Esses ativos foram amealhados por Kirch ao longo dos últimos 44 anos. No início do mês, contudo, ficou claro que a situação do magnata é delicada. O alerta partiu de bancos credores que pressionam Kirch a vender ativos para tornar seu débito, superior a US$ 5 bilhões, administrável. No córner, Kirch está negociando os direitos da F-1 e a editora Axel Springer Verlang, que publica o respeitável jornal Bild. Cogita também fechar a deficitária KirchPay TV.

As dificuldades vividas por Kirch, contudo, não comovem velhos parceiros como Rupert Murdoch e Silvio Berlusconi. O primeiro, por exemplo, já avisou que quer desfazer-se de sua fatia de 22% na KirchPay TV. Como o contrato obriga Kirch a exercer o direito de preferência, o alemão terá de levantar US$ 1,48 bilhão para que Murdoch saia de cena. Kirch também fracassou na tentativa de vender os 25% que detém na tevê espanhola Telecinco ao sócio Berlusconi. No caso da F-1 ? cujos direitos comprou do cartola Bernie Ecclestone ?, Kirch espera convencer a GPWC, empresa que reúne as indústrias automotivas, a assumir o negócio. Mas o valor deverá ser muito abaixo do montante pago por ele.

A falência, que parece cada vez mais próxima, pode, contudo, ser evitada com uma manobra política. O governo da Bavária, onde fica o ?bunker? de Kirch, deu sinais de que pretende ajudar. O primeiro movimento neste sentido, segundo analistas, foi a oferta de US$ 963 milhões do banco HVB, com sede em Munique, pela editora Axel. O montante seria suficiente para quitar débitos de curto prazo. Difícil é saber se Kirch vai ter fôlego para resistir ao cerco dos credores e à esperteza dos sócios.