A cada seis meses, Manfred Lamy ? presidente mundial da fabricante alemã de canetas que leva o nome da família e fatura US$ 54 milhões ? despacha um emissário ao Brasil para conferir os negócios. Na última semana, ele repetiu o ritual. Só que desta vez, o herdeiro da companhia fundada pelo pai Carl Josef Lamy, em 1930, chegou ao País disposto a reescrever a história da marca por aqui. O objetivo é ampliar a participação da Lamy em um mercado dominado pelas rivais Parker, Cross e Montblanc. ?O Brasil tem um enorme potencial. Por isso decidimos mudar nosso foco de atuação?, explica. Apesar de a economia do País ser a maior do continente, as vendas ainda são tímidas (R$ 3 milhões), ficando atrás da líder Colômbia (R$ 4,32 milhões). A diferença, segundo Lamy, deve-se, em boa parte, ao brutal impacto dos impostos ? principalmente de importação ?, que representam 80% dos custos, no Brasil, contra 15% naquele país. Como nada indica que o governo brasileiro pretenda reduzir os tributos, a companhia alemã decidiu apostar em novos nichos, como o segmento de brinde. Os primeiros clientes na lista de Lamy são as subsidiárias das empresas alemãs instaladas por aqui. Aliás, ele visitou uma dúzia delas nessa passagem pelo Brasil.

A migração para a área de brindes foi o caminho encontrado pelo executivo para ampliar as receitas no chamado segmento de ?canetas de qualidade?. Essa opção também foi reforçada pelo progressivo encolhimento dos canais de distribuição, especialmente após a falência de redes tradicionais como Casa Matos (revenda de artigos de papelaria situada no Rio de Janeiro), Mesbla e Mappin, entre outras. Mas isso não significa que o varejo, que tem se mantido fiel à marca há 40 anos, vai ser abandonado. Metade dos lançamentos da Lamy, neste ano, vão ser na faixa de preço mais próxima do bolso dos brasileiros: até US$ 50. Está previsto, também, aumentar os gastos em ações promocionais. O executivo não diz quanto vai desembolsar este ano. Informa, apenas, que será muito mais que os US$ 500 mil aplicados em 2001. Daqui a seis meses, Manfred Lamy retorna ao Brasil para conferir o impacto das mudanças no caixa da filial brasileira.