O grupo Latam Airlines reportou um prejuízo líquido de US$ 39,947 milhões, leve queda de 3,4% ante as perdas de US$ 41,33 milhões anotadas um ano antes. O resultado foi afetado pelo reconhecimento de uma despesa líquida de US$ 198,0 milhões, impactada pela perda com variação cambial de US$ 204,6 milhões (R$ 587,2 milhões), sem efeito caixa, reconhecida principalmente pela TAM em função da desvalorização do Real no trimestre. No primeiro trimestre do ano passado, a Latam havia registrado uma despesa de US$ 27,3 milhões, que incluía um ganho com variação cambial de US$ 57,0 milhões, resultado da valorização do Real naquele trimestre, além do reconhecimento de uma provisão de US$ 112 milhões relacionada ao plano de reestruturação da frota do grupo.

Em nota, a Companhia destacou que mitigou sua perda cambial através da “redução consistente da exposição do balanço patrimonial da TAM ao Real”.

O resultado operacional apresentou significativa evolução, alcançando um lucro operacional de US$ 226,98 milhões, alta de 101,5% em relação aos US$ 112,6 milhões registrados no primeiro trimestre do ano passado. A margem operacional cresceu 4,6 pontos porcentuais, para 8,1%.

Conforme explicou a companhia, o aumento da margem nos primeiros três meses do ano reflete principalmente a redução de 16% nos custos operacionais da Companhia. O custo por ASK-equivalente caiu 17%, influenciado pela redução do custo com combustível, de 31%, incluindo hedge. Excluindo os gastos com combustível, o Cask diminuiu 10%, beneficiado por ganhos de eficiência em decorrência dos programas de redução de custos em curso e pelo efeito da desvalorização cambial sobre os custos denominados em moedas locais.

A receita total da companhia totalizou US$ 2,791 bilhões, queda de 12,2% quando comparada aos US$ 3,177 bilhões do mesmo período de 2014. Conforme explicou a Latam, a baixa refletiu a diminuição de 12,8% nas receitas de passageiros e de 16,7% nas receitas de carga, parcialmente compensadas pelo aumento de 42,8% em outras receitas. No trimestre, as receitas de passageiros e cargas responderam por 84% e 12,6% das receitas totais, respectivamente.

Embora o grupo tenha registrado um aumento de 0,7 ponto porcentual em sua taxa de ocupação, resultado de um aumento da oferta (+2,1%) mais contido que o de sua demanda (+3,0%), a receita por ASK (RASK) registrou redução de 14,7% em relação ao primeiro trimestre de 2014, refletindo a queda de 15,4% nos yields. “Os yields (indicador de tarifa) seguiram impactados pelo fraco desempenho macroeconômico na América do Sul, desvalorização das moedas locais (principalmente o Real, o Peso chileno e o Peso colombiano) e pela menor demanda de passageiros de negócios no Brasil”, disse a companhia em relatório de resultados.

No segmento de cargas, a redução da receita foi influenciada pela diminuição de 9,6% do volume transportado e pela contração de 7,9% no yield, “devido a pressões concorrenciais de operadoras de carga regionais e internacionais, desvalorização das moedas locais, principalmente o Real e o Euro, e menor repasse de combustível refletindo a queda no preço deste insumo”, disse a companhia.

Já na linha de outras receitas, o aumento de 42,8%, para US$ 97,3 milhões, é explicado principalmente pelo aumento US$ 24,7 milhões das receitas da Multiplus por conta da intermediação de pontos e resgates de outros produtos que não passagens.

Projeções

A Latam reiterou suas projeções para 2015, com previsão de obter uma margem operacional entre 6% e 8% e de apresentar um crescimento da oferta total (ASK) de 2% e 4%. Enquanto a oferta para passageiros internacionais deve encerrar o ano com crescimento entre 4% e 6%, a o ASK de passageiros domésticos da TAM no mercado brasileiro deve permanecer estável em 2015 e a capacidade nas operações domésticas de países de língua espanhola deve aumentar entre 4% e 6%.

No segmento de cargas, a Latam espera redução do ATK entre 2% e 0% em relação a 2014, devido essencialmente à racionalização da oferta nas operações de carga. )