21/07/2001 - 7:00
Os trezentos anos de história do pequeno principado de Liechtenstein, encravado nas montanhas entre a Suíça e a Áustria, foram até o ano passado tranqüilos como o dia a dia em uma típica vila alpina. Mas os últimos tempos foram nitroglicerina pura. A cruzada dos sete países mais ricos do mundo contra a lavagem de dinheiro, que drena divisas de suas economias, pôs o sistema financeiro do principado de pernas para o ar. Calcula-se que o país dê abrigo a US$ 58 bilhões em dinheiro de origem suspeita. O chefe de Estado, príncipe Hans-Adam II von und zu Liechtenstein, foi pressionado a assinar leis que obrigam os bancos a controlar o movimento das contas correntes e sentiu na pele a necessidade de ceder. Dono do maior banco do principado, o LGT, o monarca viu sua instituição e outros 15 concorrentes estagnarem nos últimos doze meses. O início de seu ?drama? ocorreu em junho de 2000, quando o G-7 incluiu Liechtenstein em uma lista de 15 países coniventes com a lavagem de dinheiro. Excluída do ranking, a vizinha Suíça, cuja moeda é o mesmo franco suíço adotado pelo principado, viveu situação inversa. O maior banco privado do País, o Julius Baer, viu no período seus ativos crescerem 46%.
Hans-Adam II se dobrou à pressão internacional e conseguiu retirar o nome do país da última versão da lista negra do G-7, há um mês. Mas ainda não conseguiu afastar a espada que paira sobre sua cabeça. Os maiores problemas, agora, encontram-se dentro de seu próprio principado. Sua riqueza e força política, simbolizadas pelo castelo onde mora, em uma colina que domina a capital Vaduz, não bastaram para impedir que a polícia entrasse de surpresa no LGT, em busca de indícios de operações ilegais. Hans-Adam II tem poder de veto sobre novas leis e pode até dissolver o parlamento em casos excepcionais. Mas não controla governos eleitos. O príncipe propôs reformas para aumentar seu poder, mas já se prepara para o caso de ser derrotado. Ameaça ir embora para Viena e vender o LGT, dono de um terço dos ativos do país.