24/04/2001 - 7:00
Trinta anos atrás, quando colocou leões para andarem à solta por um parque arborizado da zona sul de São Paulo, Francisco Luiz de Souza Corrêa Galvão foi chamado de maluco, filhinho de papai que dava vazão a seus rompantes de aventureiro apaixonado por safáris. Filho do banqueiro Paulo Corrêa Galvão, um dos sócios do extinto Banco do Comércio e Indústria de São Paulo, Francisco conseguiu, no entanto, transformar o parque em uma das principais atrações turísticas da capital paulista. Criou, mais do que tudo, uma marca conhecida internacionalmente: o Simba Safári. Uma marca que um grupo de corretores de patentes quer vender por R$ 5 milhões. ?Não sei se é muito ou pouco e também não sei se quero vender?, desdenha Galvão, que vive dias atribulados.
Da forma como era, o Simba Safári de São Paulo acabou no final da semana. O contrato de concessão do terreno expirou dia 30 de abril e a área será retomada pela Fundação Jardim Zoológico de São Paulo, que promete reabrir o parque em um mês ou dois, mas sem as feras, leões, tigres e ursos, que serão enjaulados. O patrimônio de Galvão resume-se à marca Simba Safári.
Ele diz que o parque não foi feito para dar dinheiro e sim para servir de experiência para outros similares. Mas também não quer levar prejuízo, como vinha acontecendo nos últimos anos. ?A área de 100 mil metros quadrados da Mata Atlântica é tombada, não posso mexer em nada, nem ampliar a área do estacionamento?, diz ele, revelando o calcanhar-de-aquiles do negócio. O Simba, que chegou a receber 8 mil carros por mês, viu esse movimento cair à metade. Mesmo assim, a maioria era obrigada a entrar e sair sem parar para consumir nada, pois o estacionamento tem capacidade para apenas 80 veículos. ?Não é a bilheteria que dá dinheiro e sim a área comercial, a lanchonete, as lojas?, admite. Fechado o parque original, Galvão aguarda uma resposta do Playcenter para montar outro Simba Safari ao lado do parque Hopi Hari, no município de Vinhedo, a 79 quilômetros de São Paulo. Mas garante que só espera até junho. ?Estou negociando com outro grupo que quer construir o parque junto com um hotel de pequenos chalés?, afirma Galvão, que se diz proibido de revelar o nome do tal grupo. Segundo ele, a montagem desse empreendimento vai custar R$ 30 milhões e se-rá a 50 quilômetros de São Paulo.