Projetos culturais viabilizados pela Lei Rouanet bateram recorde de captação de investimentos em 2025, com cerca de R$ 3,4 bilhões. Foi o segundo recorde consecutivo, já que, em 2024, o número captado havia atingido pela primeira vez a marca de R$ 3 bilhões.

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Com o resultado, o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolida um crescimento contínuo nos valores captados ao longo dos três primeiros anos de governo. Em 2022, último ano da presidência de Jair Bolsonaro, o valor acumulado pelos projetos foi de R$ 2,1 bilhões.

Durante cerimônia de divulgação de uma pesquisa sobre os impactos da Lei Rouanet, o secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural do Ministério de Cultura, Henilton Parente de Menezes, celebrou outra marca alcançada: pela primeira vez, a Lei Rouanet conta com projetos em execução em todos os 27 estados do Brasil. “Se você olhar cinco ou seis anos atrás, você vai ver que estados como Roraima, Rondônia e Paraíba não estavam no mapa”, afirmou.

Veja os 30 projetos que mais captaram recursos em 2025

Grande parte dos projetos culturais que mais obtiveram recursos de renúncia fiscal no ano passado estão ligados à manutenção de espaços culturais físicos. Maior museu a céu aberto do mundo, o Instituto Inhotim, localizado em Brumadinho (MG), aparece no topo do ranking, com R$ 41,5 milhões arrecadados.

Entre os projetos que mais captaram recursos por meio da lei também aparecem outros que, embora não ligados a um espaço físico, também se dedicam à manutenção de iniciativas culturais de longa duração. A Orquestra Petrobras Sinfônica, por exemplo, captou R$ 32 milhões para seu financiamento ao longo de um período de dois anos. Já a Fundação Bienal de São Paulo reuniu R$ 30 milhões para investimentos em um ciclo que vai de 2024 a 2027.

Destacam-se também projetos de restauro, como a reforma do Conjunto Mercedários, importante complexo arquitetônico em Belém, e do Complexo Trapiche Santo Ângelo, localizado em São Luís do Maranhão.

Mais para o final do ranking, aparecem alguns eventos de grande porte, como o “Disney Celebra: Um Natal Inesquecível”, que abrangia apresentações ao vivo e instalações em Curitiba; e o Festival Porão do Rock, realizado no mês de maio em Brasília (DF).

Confira o ranking

#Nome do ProjetoProponenteCategoriaValor Captado
1Plano Plurianual do Instituto InhotimInstituto InhotimMuseus & Centros CulturaisR$ 41.501.440,28
2Plano Bianual da Orquestra Petrobras SinfônicaAss. Orquestra Pró Música do RJMúsica & OrquestrasR$ 32.890.300,00
3Plano Plurianual – Fundação Bienal de SPFundação Bienal de São PauloArtes VisuaisR$ 30.539.400,02
4Masp 2024-2025 (Plano Bianual)MaspMuseus & Centros CulturaisR$ 29.138.635,02
5Plano Trianual do Museu do AmanhãInstituto IDGMuseus & Centros CulturaisR$ 25.712.898,40
6Plano Anual de Atividades Osesp 2026Fundação OsespMúsica & OrquestrasR$ 21.893.843,21
7Plano Bianual Casa Fiat de CulturaCasa Fiat de CulturaMuseus & Centros CulturaisR$ 21.391.066,59
8Plano Anual de Atividades Osesp 2025Fundação OsespMúsica & OrquestrasR$ 20.969.297,90
9Masp 2026-2029 (Plano Plurianual)MaspMuseus & Centros CulturaisR$ 20.019.350,99
10Plano Plurianual Artium de CulturaInstituto Artium de CulturaMuseus & Centros CulturaisR$ 19.150.898,00
11Restauração do Conjunto Mercedários (PA)Fundação FadespPatrimônio & RestauroR$ 17.275.000,00
12Plano Orquestra Ouro Preto 2024-2026Instituto Ouro PretoMúsica & OrquestrasR$ 16.601.000,00
13Restauro Complexo Trapiche Santo ÂngeloFundação FumphPatrimônio & RestauroR$ 15.095.458,26
14Plano Bianual Orquestra Sinfônica Bras.Fund. Orquestra Sinfônica Bras.Música & OrquestrasR$ 15.003.786,02
15Tina – Tina Turner o MusicalImm Live LtdaArtes CênicasR$ 14.445.426,38
16Bienal das Amazônias 2024-2025Inst. Cultural Amazônia do AmanhãArtes VisuaisR$ 14.000.000,00
17Museu Nacional: Restauração Paço S. CristóvãoAss. Amigos do Museu NacionalPatrimônio & RestauroR$ 13.452.457,51
18Atividades Theatro Municipal do RJAss. dos Amigos do Theatro Mun.Museus & Centros CulturaisR$ 13.317.400,00
19Museu das Amazônias – MuseografiaInstituto IDGMuseus & Centros CulturaisR$ 13.220.062,00
20Plano Garoto Cidadão 2025-2027Fundação CSNMuseus & Centros CulturaisR$ 12.440.000,00
21Modernização do Planetário (RJ)Fund. Planetário da Cidade do RJMuseus & Centros CulturaisR$ 12.411.647,00
22Plano Bianual Instituto Evoé SPAssociação As TeatraisMuseus & Centros CulturaisR$ 12.054.797,20
23Disney Celebra: Um Natal InesquecívelAir MarketingEventos & FestivaisR$ 12.050.048,77
24Inst. Sociocultural Hospital de AmorInst. Sociocultural Hospital AmorMuseus & Centros CulturaisR$ 11.812.253,76
25Plano Santa Marcelina Cultura 2026Ass. Santa Marcelina CulturaMúsica & OrquestrasR$ 11.309.564,31
26Restauração Armazém nº4 (Vitória)Instituto PedraPatrimônio & RestauroR$ 11.000.000,00
27Plano Orquestra Sinfônica Bras. 2026-27Fund. Orquestra Sinfônica Bras.Música & OrquestrasR$ 10.774.962,41
28A Festa da Árvore do Rio 2025Backstage RioEventos & FestivaisR$ 10.300.000,00
29Festival Porão do RockAssociação AececEventos & FestivaisR$ 10.000.000,00
30Universo Spanta 2025Projeção – Projetos em Ação LtdaEventos & FestivaisR$ 9.855.550,00

Como funciona a renúncia fiscal da Lei Rouanet

O apelido “Lei Rouanet” refere-se à Lei Federal nº 8.313/1991, que instituiu no começo dos anos 1990 o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Apesar de contar com três iniciativas diferentes de apoio à cultura, o programa ficou famoso sobretudo pela vertente de incentivo a projetos culturais via renúncia fiscal.

Interessados em financiar um projeto cultural devem apresentar sua proposta ao Ministério da Cultura, com uma série de documentos que incluem orçamentos, avaliação de abrangência e impacto, cronograma, entre outros. Segundo a advogada Daniela Poli Vlavianos, do Poli Advogados e Associados, as propostas passam por duas análises.

A primeira análise, mais técnica, verifica “a adequação formal do projeto, a compatibilidade orçamentária, a viabilidade técnica, o enquadramento legal e o atendimento às diretrizes da política cultural”. Já a segunda avalia “o mérito cultural, relevância artística, impacto sociocultural, democratização de acesso, acessibilidade, regionalização e coerência entre objetivos, atividades e custos”, nas palavras de Vlavianos.

Os proponentes que têm seus projetos aprovados devem então buscar recursos de patrocínio diretamente com a iniciativa privada. As empresas e pessoas que toparem financiar as iniciativas terão, então, o direito a abater os valores investidos do seu Imposto de Renda. A “renúncia fiscal” caracteriza-se assim por essa decisão do Estado de deixar de receber parte dos tributos devidos por pessoas físicas e jurídicas, como forma de ampliar os recursos voltados à cultura.