20/03/2026 - 9:02
Juros elevados asfixiam o fluxo de caixa das empresas, estrangulam a demanda e desestimulam a tomada e concessão de crédito. É um modus operandi sistêmico que tem custado noites de sono aos executivos e membros dos boards empresariais. Não à toa, o volume de pedidos de recuperação judicial (RJ) no Brasil, chama a atenção. No último trimestre de 2025, as varas de recuperação e falências empresariais acumulavam quase seis mil processos, com alta de 24% em um ano. Quando se leva em conta o recurso da recuperação extrajudicial (RE), uma operação estruturada diretamente entre empresas e credores, o número saltou de 17 em 2021 para 78 no ano passado.
Com a perspectiva do ciclo de cortes de juros no Brasil, havia uma sensação de que o alívio estava por chegar. Mas, com as incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio, fato que deixa o Banco Central em situação mais delicada, um ano que já não seria muito animador pode ser ainda pior que o previsto, avaliam economistas à IstoÉ Dinheiro. Mais tempo de crédito caro, com um ritmo mais lento de cortes da Selic, caso o conflito se alongue, afeta primeiro as indústrias de base e o varejo. O quadro já crítico em RJs e REs ganhou atenção após virem à tona a perda de fôlego de gigantes como a Raízen e o Grupo Pão de Açúcar. Antes desses anúncios, contudo, milhares de negócios de menor porte já estavam sufocados no Brasil. O ano será de cautela, mas há alternativas antes de pedir recuperação, afirmam especialistas.
A edição traz ainda como estão as expectativas no setor de data centers depois do naufrágio do Redata, do governo federal, a fotografia da infraestrutura de recarga para os veículos elétricos (houve expansão de 42% em um ano, mas ainda insuficiente para a frota) e um novo resort para os apaixonados por vinho – com seu terroir próprio fincado em um município onde a pescaria é a atração.
