27/03/2026 - 9:22
Desde que as primeiras canetas emagrecedoras desembarcaram no Brasil há cerca de dez anos, o mercado de medicamentos para a obesidade virou de cabeça para baixo. Foram múltiplas versões, com princípios ativos, dosagens e graus de eficácia variados, quase sempre com preços astronômicos, mas apresentadas no formato de seringa plástica de autoaplicação. Agora, uma nova guinada na área está em curso com a expiração da patente da semaglutida, a substância ativa dos remédios Ozempic e Wegovy da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, no dia 20 de março. Com isso, outras empresas poderão fabricar suas próprias versões do remédio.
Uma amostra das oportunidades de negócios que surgem a partir de agora pode ser medida pela fila dos pedidos de autorização que tramitam na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao todo são 14 pedidos de versões de genéricos ou similares da semaglutida. Oito delas devem ter retorno de resposta, que pode ser ou não o sinal verde, ainda em abril. A reviravolta, entretanto, não se limita à indústria farmacêutica e ao universo da saúde. As indústrias de alimentos e bebidas nos Estados Unidos, onde o uso das canetas emagrecedoras já é maior, podem perder US$ 48 bilhões anuais nos próximos dez anos, indica um estudo da KPMG. A temática está na agenda da indústria brasileira de processados, que recebeu há poucos dias em um congresso uma cientista de alimentos com experiência no mercado americano.
A edição traz ainda a leitura de Diego Barreto, CEO do iFood, sobre a guerra de aplicativos no mercado de delivery em uma entrevista exclusiva; os efeitos da guerra no Oriente Médio para o diesel e a ainda discrepante diferença salarial entre homens e mulheres no país.
