16/01/2026 - 8:53
O que está escrito no acordo entre Mercosul e União Europeia não pode mais ser alterado. O que falta agora é a assinatura, simbólica, entre os dois blocos, marcada para este sábado, 17 de janeiro, no Paraguai. Se nenhuma reviravolta de última hora ocorrer para atrasar um pouco mais essa etapa – a França conseguiu travar a assinatura do acordo em dezembro ao convencer os italianos, mas agora o apoio caiu por terra –, consolida-se o acordo de livre comércio entre os dois blocos de países depois de pouco mais de duas décadas de impasses diplomáticos.
O tratado econômico, que não se limita à mera redução de barreiras alfandegárias, vai redesenhar as fronteiras competitivas de um mercado que engloba 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões. A economia da maior área de livre comércio do mundo só perde para a norte-americana, com um PIB próximo a US$ 29 trilhões, e supera a da China – de US$ 19 trilhões. Os setores beneficiados no Brasil, liderados pelo agronegócio exportador e por indústrias de nicho como calçados e minerais, terão acesso a um dos mercados mais sofisticados do globo. Por outro lado, setores sensíveis da indústria e da agropecuária subsidiada sofrerão uma pressão competitiva sem precedentes, o que deve contribuir para modernização e avanços.
A edição traz, ainda, o potencial do mercado de “canetas emagrecedoras” e a acirrada disputa que se desenha a partir da queda de patente, no Brasil, da molécula do Ozempic a partir de março, uma fotografia do potencial de negócios no Vale da Mantiqueira, onde vinícolas cultivam versão tropical da uva Syrah e investem em enoturismo, e os desdobramentos da crise relacionada à Enel.
