Os boletins meteorológicos apontam o risco de um ‘super El Niño’ no segundo semestre, um fenômeno climático que já preocupa o agronegócio brasileiro e pode impactar a inflação de alimentos. Previsões de especialistas climáticos europeus e norte-americanos sugerem que as temperaturas oceânicas poderão atingir patamares até dois graus Celsius acima da média histórica a partir de junho – o que indica fenômeno com o mais intenso potencial em ao menos um século. Via de regra, o El Niño se caracteriza por aumentar em pelo menos 0,5ºC a temperatura das águas do Oceano Pacífico. Diferentemente de uma manifestação convencional, o chamado ‘super El Niño’ está associado a um aquecimento superior a 2ºC. É suficiente para alterar os padrões climáticos de todo o mundo, sobretudo o regime de chuvas.

Entre os produtores em alerta estão os sojicultores de Mato Grosso – a cultura que ancora a produção nacional de grãos. Vale lembrar, que, em 2025, o agronegócio respondeu por 30% da riqueza produzida pelos brasileiros – ou o equivalente a R$ 3,8 trilhões, considerada a cadeia completa (cadeias de insumos, a produção dentro da porteira, agroindústrias e serviços no pós-produção). O fenômeno não só traz consequências ao negócio, mas ao consumidor. Em 2024, após a mais recente manifestação do fenômeno climático, houve impacto direto à inflação de alimentos. Enquanto o IPCA fechou em 4,83% naquele ano, o grupo de alimentos e bebidas subiu quase 8%. Para 2026, economistas já calculam contribuição de 1 ponto percentual como efeito de alta à inflação de alimentos.

A edição traz ainda o desembarque no Brasil da rede chinesa Mixue, equivalente em tamanho ao Mc Donald’s, a encomenda da Vale de navios movidos a etanol (os primeiros do mundo) e uma fotografia da Oncoclínicas, que vive séria crise financeira.

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