A final da Libertadores de 2025, entre Palmeiras e Flamengo, neste sábado, 29, terá um peso histórico para o Brasil. Independentemente do resultado, o país chegará a 25 títulos na competição e alcançará a Argentina no número de conquistas desde a criação do torneio, em 1960. A taça da competição ficou no Brasil nas últimas seis edições.

Equipes brasileiras estão estabelecendo uma supremacia sem precedentes no continente. Dos últimos 12 finalistas da Taça Libertadores, 11 foram brasileiros. Apenas o Boca Juniors, da Argentina, conseguiu uma vaga entre os finalistas em 2023.

Palmeiras e Flamengo se tornaram um caso à parte. Os dois, que definem neste sábado quem será o primeiro brasileiro quatro vezes campeão do torneio, são praticamente presenças garantidas na grande final do torneio de 2019 para cá. Nesse período, são quatro finais para o rubro-negro carioca e três finais para o alviverde paulista.

Mas o domínio incomoda — sobretudo aos hermanos argentinos. Um dos maiores periódicos da Argentina, o Diário Olé, publicou uma matéria com a seguinte manchete após a vitória do Flamengo contra o Racing na semifinal da competição deste ano: “A supremacia brasileira sobre os argentinos na Libertadores”.

O comentarista argentino Toti Pasma, da DirecTV Argentina, fez o seguinte desabafo: “Estou farto, farto, farto de que todas as finais da Copa Libertadores sejam entre brasileiros. Já estou cansado disso. Em 2018, vimos Boca Juniors versus River Plate; em 2019, comentei River Plate versus Flamengo e, a partir dali, salvo Fluminense contra Boca Juniors, em 2023, todas as finais foram brasileiras. Palmeiras x Santos, Athletico-PR x Flamengo, Botafogo x Atlético Mineiro e agora Flamengo contra Palmeiras. Temos de fazer algo porque eu já não aguento mais. Não quero mais vê-los”, enfatizou o jornalista esportivo.

+Justiça multa 99Food em R$ 100 mil e proíbe anúncios digitais com a palavra-chave ‘Keeta’

+Expectativa de vida sobe para 76,6 anos no Brasil

O domínio é explicado, sobretudo, pelos indicadores econômicos. Nas premiações das competições internas de Brasil e Argentina, o contraste é grande. Em 2024, o campeão brasileiro levou R$ 48,1 milhões como premiação. No mesmo ano, o Vélez Sarsfield recebeu apenas US$ 500 mil — cerca de R$ 3 milhões —, valor inferior ao pago ao campeão paulista no Brasil. Neste ano, ao bater o Palmeiras, o Corinthians faturou R$ 5 milhões.

Quanto custam os elencos?

Os elencos “nível Champions League” do futebol brasileiro também ajudam a explicar. Segundo o site Transfermarkt, o elenco do Palmeiras possui o maior valor de mercado entre os times da América do Sul. O plantel alviverde é avaliado em 212,15 milhões de euros (cerca de R$ 1,306 bilhão), considerando as movimentações feitas para a atual temporada.

O elenco do Flamengo não fica atrás. Está avaliado em 195,90 milhões de euros (cerca de R$ 1,206 bilhão na cotação atual), incorporando as contratações recentes que reforçaram o grupo para a disputa do ano. Altos valores que mostram o investimento feito pelos times para montar elencos capazes de competir por todos os títulos no continente.

“El Clássico” das Américas

Palmeiras e Flamengo são um capítulo à parte nesse domínio. Desde a reestruturação dos dois clubes, eles vêm disputando absolutamente todas as competições do continente entre si. Poucos foram os times que conseguiram entrar no meio da briga pelas taças.

De 2015 para cá, foram 30 títulos somando os dois clubes: 16 para o rubro-negro (2 Libertadores, 2 Brasileiros, 2 Copas do Brasil, 3 Supercopas do Brasil, 6 Estaduais e 1 Recopa Sul-Americana). O Verdão acumula 14 taças no período (2 Libertadores, 4 Brasileiros, 2 Copas do Brasil, 3 Supercopas do Brasil, 1 Recopa Sul-Americana e 6 Estaduais).

E para o vencedor da competição deste ano, o prêmio será de R$ 136 milhões.