Há mais semelhanças entre a gestão dos negócios e a liderança de um time de futebol do que sonha a vã filosofia do técnico Carlos Alberto Parreira. E a trajetória decepcionante da seleção brasileira na Copa do Mundo da Alemanha tornou-se um manancial de ensinamentos que mostram como conduzir (ou melhor, como não conduzir) uma organização. DINHEIRO pediu para cinco empresários e executivos de grandes empresas revelarem as lições que extraíram da curta e tosca campanha brasileira no campeonato mundial de futebol e como podem aplicá-las na condução dos negócios. A seguir, seus depoimentos.

  

PRESIDENTE
Arteb Pedro Eberhardt
Nem sempre as coisas saem conforme o planejado.

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“Todo empresário com os pés no chão tem um plano B pronto para ser acionado. A seleção brasileira não alterou seu sistema de jogo em momento algum durante a peleja contra a França, apesar da falta de resultados. Não houve análise dos pontos fracos e fortes dos concorrentes. Acreditamos que venceríamos porque queríamos. É um erro fatal no futebol e nos negócios”

DIRETOR FINANCEIRO
Casas Bahia /Michel Klein

Na hora de contratar profissionais para sua empresa, Klein procura os melhores no mercado. A trajetória do Brasil na Copa confirmou que esse é apenas o primeiro passo. A partir daí, é necessário uni-los em torno de objetivos.

“A desclassificação do Brasil deixou claro que tanto no futebol como nos negócios talentos individuais são importantes. Mas só a força do trabalho em equipe e a união fazem de um time ? em qualquer área que atue ? um verdadeiro campeão”.


PRESIDENTE
Grupo Newcomm/ Roberto Justus

Quando Roberto Justus viu o técnico Carlos Alberto Parreira apático no banco da seleção, percebeu que faltava comando sobre as estrelas do time.

“Na minha agência, lido com estrelas, profissionais com nome no mercado. Mas sempre deixo claro que a decisão é minha. O comandante tem que ter pulso para decidir o que é melhor. Às vezes, o funcionário já tem prestígio, ganhou milhões e não tem mais pique. Afasto sem sombra de dúvidas. No mundo dos negócios não dá para jogar só com a fama”.

PRESIDENTE
Coteminas Josué Gomes da Silva

Uma frase de Cervantes veio à cabeça de Josué Gomes da Silva, quando o juiz apontou o meio de campo no jogo contra a França:

“A humildade é a mais importante das virtudes. Tão importante que sem ela não há virtude que o seja. O grande risco para um líder é acreditar que o sucesso passado garante o desempenho no futuro. É necessário estar atento às novas circunstâncias de mercado, às armas da concorrência que se modificam a cada momento?.

PRESIDENTE
Rhodia América Latina /Marcos de Marchi

Marcas não são apenas nomes. São a expressão das qualidades de um produto. O prestígio da seleção e seus parcos resultados mostraram a força desse conceito na visão do presidente da Rhodia.

“A marca deve trazer vantagem real para o cliente. Os adversários começaram nos respeitando, inclusive a França, mas não soubemos aproveitar a vantagem inicial. O foco deve estar no resultado. Desviar-se do foco (arrumar a meia numa cobrança de falta vital) custa caro?.