30/09/2015 - 17:55
Um ataque aéreo russo matou, nesta quarta-feira, 36 civis, afirmou o líder da principal oposição síria à AFP, ao acusar Moscou de tentar fortalecer o regime do presidente Bashar al Assad.
Khaled Khoja, líder da Coalizão Nacional apoiada pelo Ocidente e que inclui grupos opositores e combatentes, afirmou que ativistas locais e membros do conselho informaram os nomes das 36 pessoas que morreram na província central síria de Homs, entre elas cinco crianças.
“Todas as vítimas eram civis”, afirmou Khoja, em uma entrevista em Nova York à margem da Assembleia Geral da ONU.
“Então era muito óbvio que a intervenção da Rússia era para apoiar o regime, para apoiar mais mortes dentro da Síria e criará uma atmosfera ainda mais caótica”, declarou.
Ele advertiu que a intervenção provocaria um “guerra da libertação” contra Rússia e Irã, os principais apoiadores estrangeiros do criticado presidente Bashar Al Assad.
Khoja afirmou que a Rússia realizou 20 bombardeios na Síria e que ele estava esperando informações de outras áreas.
Os ataques russos em três províncias sírias marcam a primeira intervenção militar de Moscou fora da ex-União Soviética desde a ocupação do Afeganistão que terminou em 1989 com um ataque de rebeldes islâmicos.
Moscou afirmou que o alvo eram “terroristas” na Síria, onde impiedosos movimentos como o grupo Estado Islâmico emergiram em meio ao conflito brutal.
Khoja afirmou que a Rússia foi ambígua ao falar recentemente de uma solução diplomática.
“Os russos estavam falando sobre solução política, mas agora está claro que eles estavam usando sua abordagem política para encobrir a intervenção militar na Síria”, declarou Khoja.
O presidente russo, Vladimir Putin, falou sobre cooperação durante um encontro na segunda-feira com o presidente americano, Barack Obama.
Khoja afirmou que a Rússia também pareceu “um pouco mais flexível” quando ele foi em agosto a Moscou para um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Seguei Lavrov.
“O ataque de hoje mostrou que os russos estavam mentindo para nós”, declarou.