O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE),  reagiu nesta terça-feira, 20, à possibilidade de cortes no Bolsa  Família. Em entrevista à imprensa após participar da reunião de líderes  com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o petista saiu em  defesa do programa social e disse que, como parlamentar, é contra os  cortes.

“Bolsa Família não é esmola nem serve para  sustentar quem não quer trabalhar”, afirmou. De acordo com Guimarães, o  Bolsa Família e os outros programas sociais são a “alma do governo”.  ”Não acho necessário diminuir, pelo contrário, defendo até aumentar”,  emendou o líder do governo.

A intenção de fazer cortes no  Bolsa Família no Orçamento de 2016 foi anunciada pelo deputado Ricardo  Barros (PP-RR), relator da peça orçamentária. Hoje pela manhã, em  reunião no Planalto, Barros avisou ao ministro da Secretaria de Governo,  Ricardo Berzoini, que poderá cortar até R$ 10 bilhões dos R$ 28,8  bilhões previstos no programa.

Cunha

O  líder do governo evitou comentar as denúncias contra Eduardo Cunha, de  que ele teria contas secretas na Suíça e patrimônio de cerca de R$ 61  milhões no exterior, não declarados. Ele alegou não poder se manifestar  pelo governo em relação ao peemedebista, pois a “questão de Cunha não é  questão do governo”. “O diálogo do governo com o presidente da Câmara é  apenas no sentido de fluir a pauta”, disse.

Na entrevista,  Guimarães também evitou comentar sobre relatório do Ministério Público  junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que aponta que a presidente  Dilma Rousseff cometeu as chamadas “pedaladas fiscais” também em 2015.  ”Não perco o sono nem tempo com o Tribunal de Contas. O TCU é auxiliar  do Congresso Nacional, quem julga é o Congresso”, afirmou.

Repatriação

Ainda  de acordo com Guimarães, o projeto de lei com normas para regularizar a  repatriação de recursos não declarados à Receita Federal deve ser  votado entre hoje e amanhã na comissão especial que analisa o projeto.  Segundo ele, o governo “avançou bem” em relação à matéria. “Acredito  que, até amanhã, consolidamos com o Ministério da Fazenda o texto”,  disse ele, referindo-se às possíveis mudanças no texto original enviado  pelo Planalto no início de setembro.

O petista também  reforçou que o governo está “buscando entendimento” com lideranças  partidárias na Câmara para conseguir a admissibilidade do projeto da  Desvinculação de Receitas da União (DRU) na Comissão de Constituição e  Justiça (CCJ) da Câmara. O mecanismo permite ao governo remanejar parte  do que arrecada, o que poderá ajudar o Executivo a desengessar o  Orçamento da União no momento em que o governo se esforça para  equilibrar as contas públicas.

Reunião

O  líder do governo avaliou que a reunião das lideranças foi “tranquila”,  ”não teve polêmica”. De acordo com ele, a pauta desta semana é “leve” e  não tem projetos que preveem grandes impactos sob os cofres do governo.  ”Vamos votar as várias urgências nesta semana”, disse, destacando que a  Medida Provisória (MP) do Seguro Rural deve ser votada amanhã. Na  reunião, acrescentou, líderes também chegaram a um consenso de que é  ”inoportuno” votar a flexibilização da “Voz do Brasil” nesta semana.