Joshua Wong, o rosto mais visível do movimento pró-democracia de Hong Kong, e outros dois líderes estudantis foram acusados nesta quinta-feira pela polícia por seu papel nas gigantescas manifestações de 2014.

Processado por “reunião ilegal” e “incitação para terceiros participarem de uma reunião ilegal”, o estudante, de 18 anos, denunciou uma perseguição política.

Outros dois líderes, Alex Chow e Nathan Law, foram acusados por motivos similares. Todos eles comparecerão ante a justiça no dia 2 de setembro.

Por mais de dois meses, dezenas de milhares de pessoas encheram as ruas da antiga colônia britânica devolvida em 1997 à China para exigir um sufrágio universal sem restrições.

Os incidentes pelos quais foram acusados remontam a 26 de setembro de 2014, quando um grupo de estudantes invadiu um complexo de edifícios do governo local.

Wong e outros jovens foram detidos, o que provocou grandes manifestações em Hong Kong e o chamado movimento dos guarda-chuvas.

“É uma perseguição política”, disse Wong antes de entrar na delegacia para ser formalmente acusado. Participar desta ação “foi minha melhor missão em quatro anos de militância estudantil”, afirmou.

O jovem também comparecerá na sexta-feira junto a Nathan Law ante um tribunal de Hong Kong acusado de obstruir o trabalho da polícia após uma manifestação em junho de 2014.

Os deputados pró-democracia de Hong Kong rejeitaram em junho o controverso projeto de Pequim que fixava as modalidades das eleições ao cargo de chefe do executivo local em 2017.

Pequim havia aceitado instaurar um sufrágio universal pela primeira vez, mas o Partido Comunista chinês se reservava o controle sobre a seleção de candidatos.

Após a rejeição parlamentar, segue em vigor o sistema atual de designação do chefe do governo local pelas mãos de um colégio de grandes eleitores leal a Pequim.

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