31/05/2022 - 14:31
Os dirigentes da União Europeia (UE) minimizaram nesta terça-feira (31) a possibilidade de iniciar imediatamente as discussões sobre um possível embargo ao gás russo, após as dificuldades encontradas para se chegar a um acordo sobre as importações de petróleo.
Na sessão de abertura de uma cúpula em Bruxelas, na segunda-feira, os líderes da UE fecharam um acordo de última hora para suspender as compras de petróleo russo que chegam por via marítima, uma medida que os líderes dizem que afetará “mais de dois terços” dessas importações.
O acordo adota exceções para o petróleo que chega por oleodutos, em uma concessão para contornar o veto da Hungria, um país sem litoral que depende quase inteiramente do petróleo russo que chega pelo oleoduto de Druzhba.
O primeiro-ministro da Bélgica, Alexander de Croo, disse nesta terça-feira que esse acordo, parte do sexto pacote de sanções da UE à Rússia por sua invasão da Ucrânia, “é um grande passo em frente. E acho que agora devemos fazer uma pausa”.
Para De Croo, antes de iniciar as delicadas negociações sobre o que fazer com o gás russo em um possível sétimo pacote de sanções, é preciso implementar integralmente o sexto conjunto de medidas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou no final das reuniões que o bloco avançou o suficiente com seu acordo e que era hora de se concentrar mais nas áreas “financeira e econômica”.
No entanto, o presidente da França, Emmanuel Macron, destacou que “nada deve ser descartado (…) Ninguém sabe como as coisas vão evoluir e como a guerra vai evoluir”.
Os líderes europeus discutiram também o impacto do conflito na segurança alimentar, inclusive em outros continentes, e os esforços para otimizar as capacidades de defesa do bloco.
O presidente da União Africana, o líder senegalês Macky Sall, se conectou por videoconferência e em seu discurso fez um sério alerta sobre o impacto da guerra e das sanções europeias na segurança alimentar em seu continente.
A exclusão dos bancos russos do sistema interbancário Swift, devido às sanções europeias, tornou muito difícil para os países africanos pagar por suas importações. Além disso, o quadro atual triplicou os preços dos fertilizantes, disse Sall.
