11/12/2002 - 8:00
Um cochilo jurídico aliado à rapidez no aproveitamento de uma decisão judicial está irritando os responsáveis pela área de Liquidações do Banco Central. Os ex-controladores do Banco Araucária, cujas dívidas ultrapassam R$ 67 milhões, conseguiram desbloquear seus bens pessoais que estavam arrestados pelo BC. Graças a uma decisão da 4a Vara de Falências e Concordatas de Curitiba,
eles também ficaram livres de sofrer ações por responsabilidade civil, comuns em casos de intervenção para garantir o pagamento aos credores.
O Araucária sofreu liquidação em março de 2001. Uma comissão
de inquérito do BC concluiu que havia lavagem de dinheiro e remessas ilegais para o exterior, no valor de R$ 4 bilhões. Interpretações legais feitas pelo Ministério Público do Paraná resultaram na ausência de um pedido formal para a manutenção do arresto dos bens. Os advogados dos ex-controladores enxergaram uma brecha para pedir a suspensão do arresto em juízo. Uma perda de prazo pelos procuradores resultou em mais uma vitória dos advogados, que livraram os clientes de ações por responsabilidade civil. No processo aberto pelo BC, os técnicos apontaram responsabilidade solidária aos administradores do Araucária Alberto Dalcanale Neto, Fernando Peixoto, Reinaldo Tuleski, Ruth Whately Bandeira, Humberto Ciccarino Filho e Luiz Alberto Dalcanale. Os técnicos querem voltar a bloquear os bens.