O diretor de energia da Camargo Corrêa, Luiz Carlos Martins, um dos  delatores da Operação Lava Jato afirmou que o senador Edison Lobão  (PMDB-MA) e o ministro Raimundo Carreiro, do Tribunal de Contas da União  (TCU), “receberam propina decorrentes das contratações da usina de  Angra 3”. Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, o  empreiteiro “narrou detalhadamente a existência de práticas ilícitas”.

“Questionado,  Luiz Carlos Martins, em seu depoimento judicial nos autos da aludida  ação penal, cita Edison Lobão, senador da República pelo Estado do  Maranhão e então ministro das Minas e Energia, e Raimundo Carreiro,  ministro do Tribunal de Contas da União, como os agentes políticos que  receberam propina decorrentes das contratações da usina de Angra 3”,  informa petição do procurador-geral da República Rodrigo Janot ao  Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento de Janot aponta  que a delação de Luis Carlos Martins narrou três tipos de “práticas  ilícitas”. A formação de cartel por diversas empresas interessadas na  contratação da usina termonuclear Angra 3, como a Camargo Corrêa,  Andrade Gutierrez, Odebrecht, UTC, entre outras, havendo arranjo de  propostas e preços entre os consórcios; a ocorrência de pagamento de  propina decorrente dos citados contratos a altos funcionários da  Eletronuclear; e a ocorrência de pagamento de propina decorrente dos  citados contratos a agentes políticos facilitadores das negociações e  contratações.

Janot afirmou ao ministro Teori Zavascki, do  STF, no documento, que o depoimento de Luiz Carlos Martins foi  encaminhado pela 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de  Janeiro. Segundo o procurador, a delação firmada com o Ministério  Público Federal foi homologada com a Justiça.

As  investigações sobre propina nas obras da Usina de Angra 3 e na  Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, começaram a ser apuradas pela  Operação Lava Jato, em Curitiba. Os investigadores suspeitam que, pelo  menos, R$ 4,5 milhões tenham sido pagos por empreiteiras com obras na  usina – entre elas a Andrade Gutierrez e a Engevix – a título de propina  para o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da  Eletronuclear, via empresas intermediárias.

Após decisão do  Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2015, para fatiar  desdobramento da Lava Jato, as investigações migraram para a 7ª Vara  Federal do Rio, sob responsabilidade do juiz Marcelo Bretas. Nesta  terça-feira, 15, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal negou um recurso  da Procuradoria-Geral da República que tentava reverter o fatiamento da  Lava Jato.

Defesas

O criminalista  Antonio Carlos de Almeida Castro Kakay, que defende o senador Edison  Lobão (PMDB/MA), afirmou que “não há nenhuma imputação direta” ao  ex-ministro. “Até agora tenho visto várias pessoas falarem do senador  Lobão sempre no sentido de que ele teria solicitado dinheiro para  campanhas, mas não há nenhuma imputação direta a ele, seja para uso  pessoal ou mesmo que os pedidos de dinheiro a ele atribuídos tenham  surtido algum efeito.”

A reportagem tentou contato por  e-mail com o gabinete do ministro Raimundo Carreiro, mas não havia  recebido retorno até às 16h desta quarta-feira, 16. O espaço está aberto  para as manifestações do ministro.