Embratel, Telefônica e Telemar, as três maiores operadoras de telefonia fixa do País, destinaram juntas pelo menos R$ 40 milhões, nos últimos cinco anos, a projetos de inclusão digital e digitalização de acervos públicos. Preocupação social? Sim, e grande. Mas não só. Por trás do esforço de integrar ao mundo da tecnologia a grande parte dos brasileiros que não tem acesso a ele, existe, também, uma estratégia de mercado que junta construção de imagem, divulgação de tecnologia e prestação de serviço. Em outras palavras, a filantropia das teles tem um pé plantado na responsabilidade social e, o outro, no mundos dos negócios, em particular na conexão desses novos e futuros consumidores à internet. ?O mercado de telecomunicações, hoje, diz respeito à voz?, afirma Mario Dias Ripper, diretor de projetos especiais da Telemar. ?Mas a dinâmica futura é a internet.? O professor Frederic Litto, coordenador científico da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, lembra que os projetos de educação e apoio a telecentros são ricos de histórias e retorno social. ?Mas além de capacitar professores e formar cidadãos, eles também abrem o apetite das pessoas pela internet?, diz Litto.

Movidos pela possibilidade de prestar serviço comunitário e ao mesmo tempo servir seus interesses, as empresas estão indo fundo nos programas de inclusão. A Fundação Telemar, por exemplo, tem projetos que vão do amplo suporte pedagógico e social ao fornecimento gratuito de internet banda larga a 1,8 mil escolas públicas até junho. A expectativa é que, terminado o período gratuito, o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) pague pelo serviço. Caso isso não aconteça, a empresa pretende cobrar tarifas menores das escolas. ?Há modelos de negócios que não são lucrativos, mas que ajudam o Estado a definir a estratégia de inclusão digital?, diz Ripper. Na Telefônica, a situação é parecida: há iniciativas de todos os tipos para incluir à era digital o maior número de pessoas. Uma delas não diz respeito à Fundação Telefônica, mas sim à própria empresa: a venda do computador PIC, por R$ 850, é uma das cinco prioridades da companhia para 2006. ?Esse produto pode romper de maneira significativa a barreira da inclusão para a média e baixa renda?, diz Odmar Almeida Filho, vice-presidente de negócios residenciais da Telefônica. ?A demanda do público nos testes em Bauru nos assustou. Temos potencial para aumentar em 50% as vendas de computadores no Estado?. A Telefônica não está lucrando com a operação. Ao contrário, gasta em marketing e na estrutura de vendas. ?Quanto mais clientes estiverem ligados à rede, mais serviços venderemos?, diz Almeida. Operadoras de outros estados perceberam o potencial do negócio e planejam vender o PIC.