09/04/2003 - 7:00
O Novo Mercado, criado pela Bovespa há um ano, nasceu para proteger acionistas minoritários que, por falta de informação e transparência das empresas, podiam ser prejudicados na hora de negociar seus papéis. Ao estabelecer regras e padrões de conduta, o Novo Mercado transformou-se numa espécie de selo de qualidade. Das 408 companhias de capital aberto do País, 31 já estão no pregão da boa conduta. Um estudo recém-concluído do Departamento de Economia da USP mostra que a adesão pode resultar em um ganho médio de 0,5% ao dia no valor das ações. Realizado pelo professor Gledson de Carvalho, o trabalho examinou os efeitos da migração para o Novo Mercado de 32 papéis de 22 empresas ? como Bradesco, Itaú, Sabesp e Unibanco ? entre janeiro de 2001 e julho de 2002. O ganho diário de 0,5% foi encontrado no período de quatro pregões (dois antes e dois depois da migração). Numa amostragem desse período, 15 ações apresentaram ótimo retornos.
A valorização não aumenta progressivamente, mas ocorre
somente durante a fase de adesão. ?É importante ressaltar
que os 2% de retorno médio é incorporado definitivamente ao valor da ação, e esta é a grande vantagem para o investidor?, diz Carvalho. Uma das empresas que apresentou o maior retorno foi a Aracruz, cuja ação preferencial registrou ganho de 2,4% ao dia, totalizando 9,6% nos quatro dias próximos à data da migração, em 16 de abril de 2002. A Gerdau também teve bom desempenho, com valorização diária de 2,3%.
O trabalho, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, investigou ainda os efeitos da migração sobre o volume negociado, a liquidez e a volatilidade dos ativos ? e, também nesses três quesitos, o impacto foi positivo. Em relação ao volume negociado, por exemplo, constatou-se que há um aumento médio diário de 300 mil papéis por empresa. ?À medida que as empresas perceberem as vantagens de aderir ao Novo Mercado, ele se transformará numa alternativa mais procurada?, diz Carvalho.