14/04/2026 - 15:15
Os grandes bancos dos Estados Unidos informaram nesta terça-feira, 14, lucros em alta e destacaram a solidez das empresas e de seus clientes no país, apesar do aumento dos preços do petróleo devido à guerra no Oriente Médio.
Em um contexto de tensões econômicas, os gigantes JPMorgan Chase e Goldman Sachs reportaram um sólido aumento de seus ganhos no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo resultados publicados na segunda e terça-feira.
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No caso do JPMorgan Chase, os lucros chegaram a 16,5 bilhões de dólares (R$ 82,17 bilhões), 13% a mais que no mesmo período do ano anterior, enquanto as receitas aumentaram 10%, alcançando 49,8 bilhões de dólares (R$ 248 bilhões). Seu influente diretor executivo, Jamie Dimon, afirmou nesta terça-feira que a economia dos Estados Unidos demonstra resiliência, ao mesmo tempo em que enfrenta riscos.
Em um comunicado, Dimon se referiu a “ventos favoráveis” que impulsionam a economia, entre eles o estímulo fiscal e o investimento em inteligência artificial. “A economia dos Estados Unidos continuou resiliente no trimestre, com os consumidores ainda ganhando e gastando e as empresas ainda em boa saúde”, disse Dimon.
“Ao mesmo tempo, existe um conjunto cada vez mais complexo de riscos, como as tensões geopolíticas e as guerras, a volatilidade dos preços da energia, a incerteza comercial, os grandes déficits fiscais globais e os elevados preços dos ativos”.
O forte aumento dos preços do petróleo se traduziu em preços nacionais da gasolina acima de 4 dólares por galão pela primeira vez desde agosto de 2022, um problema aberto para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Embora os preços mais altos da gasolina representem uma carga maior para os lares de menor renda, o JPMorgan Chase disse que um mercado de trabalho sólido nos Estados Unidos continua sendo um fator de apoio.
O JPMorgan Chase obteve maiores receitas com comissões de banco de investimento e apresentou bons resultados em seu negócio de trading. Os volumes costumam aumentar em períodos de volatilidade do mercado como março, quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã impulsionaram o preço do petróleo e pressionaram as ações.
A provisão do JPMorgan Chase para enfrentar possíveis empréstimos inadimplentes foi de 2,1 bilhões de dólares (R$ 10,4 bilhões), abaixo dos 2,6 bilhões (R$ 12,9 bilhões) registrados no mesmo período do ano anterior.
‘Resiliência sustentada’
Na segunda-feira, o Goldman Sachs também reportou resultados sólidos para o primeiro trimestre.
O banco de investimento com sede em Nova York registrou um aumento de 18% em seu lucro trimestral, chegando a 5,4 bilhões de dólares (R$ 26,9 bilhões), impulsionado pelas receitas de assessoria financeira.
As receitas totais aumentaram 14%, alcançando 17,2 bilhões de dólares (R$ 85,6 bilhões).
Embora o “nível de incerteza seja maior” por causa da guerra, o CEO David Solomon explicou aos analistas que os clientes continuam interessados em grandes operações.
“Continuamos vendo uma atividade significativa na frente de fusões e aquisições”, afirmou Solomon em uma teleconferência. “Não vemos que isso esteja desacelerando”.
No Citigroup, os lucros também aumentaram, 42%, chegando a 5,8 bilhões de dólares (R$ 28,9 bilhões), enquanto as receitas subiram 14%, alcançando 24,6 bilhões de dólares (R$ 122,5 bilhões) no trimestre.
O banco registrou crescimento generalizado em todas as suas áreas de negócios, liderado por suas divisões de mercados e serviços. No entanto, aumentou sua provisão para perdas de crédito em cerca de 600 milhões de dólares (R$ 3 bilhões), citando maior incerteza nas perspectivas macroeconômicas.
O diretor financeiro do grupo, Gonzalo Luchetti, descreveu o consumidor americano como resiliente e destacou um nível estável de inadimplência ao longo do tempo.
Por sua vez, o Wells Fargo reportou lucros de 5,2 bilhões de dólares (R$ 25,9 bilhões) no primeiro trimestre, um aumento de 7% em relação ao nível de um ano antes.
As receitas subiram 6%, alcançando 21,4 bilhões de dólares (R$ 106,5 bilhões).
O CEO, Charlie Scharf, atribuiu o aumento dos lucros ao crescimento dos empréstimos e dos depósitos, e também destacou que o crédito dos clientes é sólido.
“Embora os mercados tenham sido voláteis, continuamos observando uma resiliência sustentada na economia subjacente [real, ndr], e a saúde financeira dos consumidores e das empresas que atendemos permanece sólida”, resumiu.
Projeções do FMI
O FMI reduziu sua previsão de crescimento para os EUA neste ano para 2,3%, uma queda de apenas 0,1 ponto percentual em relação a janeiro, refletindo o efeito positivo dos cortes de impostos, o efeito retardado dos cortes nas taxas de juros e o investimento contínuo em data centers de IA, que compensaram parcialmente o aumento dos custos de energia. Esses efeitos devem continuar em 2027, com o crescimento agora previsto em 2,1%, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro.
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