26/06/2001 - 7:00
Uma minirrevolução está acontecendo nos bastidores das passarelas. Impulsionada pelo sucesso do glamouroso mundo fashion, cujo principal evento, a São Paulo Fashion Week, completou cinco anos semana passada, a indústria têxtil brasileira está modernizando seu parque industrial, investindo em desenvolvimento de tecnologia e aumentando as exportações. Não que os jovens estilistas estejam inundando as prateleiras internacionais com toneladas e toneladas de coleções. Medindo metro por metro, a quantidade de tecido vendida por um estilista como Alexandre Herchcovitch em lojas especializadas de Nova York e Londres é muito pequena. Mas a sinergia entre indústria de fiação e confecção e os criadores tem resultado em grandes investimentos e aumentado a competitividade da cadeia têxtil no contexto mundial.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avalia que o setor recebeu, nos últimos oito anos, investimentos da ordem de US$ 7 bilhões. Outros US$ 10 bilhões estão previstos até 2006. Nada mau para uma indústria que faturou US$ 22 bilhões em 2000. A contribuição do ramo têxtil para a redução do déficit da balança comercial tem sido expressiva. As exportações cresceram 21% em 2000 em relação ao ano anterior, chegando a US$ 1,22 bilhão. O déficit, que há cinco anos era de US$ 1 bilhão, deve zerar até o fim do ano. ?As exportações de têxteis ganharam uma pitadinha de ouro?, diz Paulo Skaf, presidente da Abit. ?Não queremos vender apenas commodities, mas agregar valor com o design.?
Um dos grandes incentivadores da modernização no Brasil é o estilista Fause Haten. ?Há dez anos eu tinha dificuldade para importar tecidos porque meu volume era muito pequeno. Decidi ir às tecelagens em busca de idéias?, lembra o estilista. Aos poucos, as companhias começaram a entender a necessidade de ?perder? dinheiro. Ou seja, de investir em inovação. ?É um trabalho de longo prazo, de marketing e de melhoria de qualidade.? Hoje,
os fabricantes é que vão até Haten para oferecer seus fios e tecidos. Neste ano, ele lançará sua primeira coleção popular, para as lojas Riachuelo.
Patrocinador do SP Fashion Week desde a primeira edição, a Rhodia está lançando cerca de 25 novos tecidos, nas coleções de quase todos os 28 designers do evento. Os produtos variam de um jeans com microfibra Amni (marca do fio de poliamida da Rhodia), que deu um brilho acetinado às calças de Walter Rodrigues, a um forro de biquíni com um produto bactericida presente nas peças da Rosa Chá. ?Tudo é desenvolvido em parceria com os estilistas, a partir dos seus sonhos e desejos?, afirma José Padeiro, consultor de marketing da Rhodia. A empresa também tem um projeto de US$ 1 milhão para estimular novos talentos, o Amni Hot Spot. Este ano, a Rhodia reservou US$ 5 milhões para investir em moda, incluindo desenvolvimento de produtos, marketing e promoção. Outros US$ 10 milhões irão incrementar o processo de produção.
Maior indústria têxtil da América Latina, com faturamento de
R$ 1,6 bilhão, a Vicunha é outra grande parceira dos estilistas.
A empresa lançou 60 tecidos diferenciados nas últimas semanas. ?Não sei se todos vão pegar ?, diz Sérgio Ibri, diretor executivo
da Vicunha. ?O desenvolvimento de produtos é um serviço que
serve também para alavancar nossa imagem.? A contribuição vai além da moda. ?Ela ajuda a promover o Brasil e seus produtos, que passam a ser reconhecidos lá fora pelo arrojo e pelo bom gosto.?
O efeito é visível. Recentemente, diretores da loja de departamento francesa Galerie Lafayette estiveram em São Paulo para um
evento de moda e aproveitaram a visita para fazer contatos