Nas últimas semanas, um fenômeno despertou interesse na Bolsa de Nova York (NYSE). Enquanto os papéis mais populares tinham desempenho ruim, ações de penitenciárias privadas disparavam. Isso mesmo: cadeias particulares. Nos Estados Unidos. Elas vêm se tornando comuns. Oferecem vagas para sentenciados e recebem uma compensação do governo por isso. Uma delas, em especial, chama mais atenção. É a Corrections Corporation of America (CCA), de Nashville. Foi da CCA a maior alta na NYSE quando o governador da Califórnia, Arnold governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger (aquele de O Exterminador Do Futuro) afirmou que, devido à superlotação nos institutos carcerários estaduais, irá contratar os serviços de prisões de fora do Estado para abrigar temporariamente os condenados californianos.

 

A CCA é a maior empresa privada de cárceres nos EUA. Tem xadrezes em 19 estados americanos além de Washington, com capacidade total para 71 mil presidiários. No ano passado, faturou US$ 1,9 bilhões – 22,9% a mais que no ano anterior. E deve continuar crescendo. Segundo analistas do setor (sim, já existem analistas especializados no negócio de cadeias privadas), se a reforma imigracional – que prevê a detenção de imigrantes legais nos EUA, em vez da deportação – for aprovada pelo congresso americano, as cadeias particulares continuarão embaladas na Bolsa de NY. Atualmente, elas cuidam de 6,7% dos prisioneiros americanos, movimentando cerca de US$ 3,6 bilhões anuais. A previsão é chegar a 7% até o final de 2008. Esses três pontos percentuais a mais não são pouca coisa. Os Estados Unidos têm uma população carcerária de 2,2 milhões de pessoas. É, aproximadamente um quarto do total mundial. Em 25 anos, o número de pessoas presas no país quadruplicou, graças a políticas policiais “linha-dura” adotadas entre 1980 e 90. Só nos últimos dez anos, a quantidade cresceu em 500 mil detentos. Um prato cheio para a Corrections. Ao contrário de suas rivais – a Geo Group e a Cornell Cos – que também tiveram altas expressivas no mercado de ações, a CCA trabalha com vagas excedentes. Em suas prisões, sempre a lugar para mais alguns – ao contrário da concorrência que trabalha com 100% de ocupação, já que constrói suas penitenciárias somente depois de fechar um contrato com o número de detentos estipulado. Assim, quando o governo precisa, a Corrections está sempre pronta para atendê-lo.

E é ele – o governo – o maior cliente da CCA. Tanto a administração federal quanto as estaduais. “Somos compensados por oferecer o serviço de detenção e de reabilitação social para o governo”, disse à DINHEIRO Steve Owen, diretor de marketing da Corrections. Ele não revela qual é a diária que os governos pagam por cabeça e nega que a CCA explore a força de trabalho dos presos, como acontece na China. “Existe um programa federal – o Prision Industry Programs – que possibilita que os encarcerados trabalhem para empresa privadas”, explica ele. Os detentos da Corrections, segundo o diretor, trabalham dentro desse programa, fabricando móveis, montando componentes eletrônicos e outras atividades industriais. Mas produzem para outras companhias. “A CCA apenas provê o espaço e a segurança para atividade. Não temos nenhum lucro vindo desse trabalho. A renda do prisioneiro vai para seus filhos, se tiver, para uma poupança que ele poderá usar quando for libertado ou para a família das vítimas do crime que ele cometeu”, afirma Owen.

Fazer o marketing de uma prisão privada, segundo ele, é tarefa árdua já que as cadeias particulares têm sido acusadas de trabalhar na Justiça para aumentar a pena de seus detentos (e assim continuar recebendo a diária do governo). Também são taxadas de imorais, pois lucram com a detenção de seres humanos. Para esclarecer questões como essas – que Owen diz não serem verdadeiras – o site da CCA dispõe até de um link para elucidar o que chama de “mitos” sobre esse mercado. A empresa também agenda visitas para a imprensa e interessados em conhecer suas intalações. Rebeliões? “São muito raras”, diz ele.