25/06/2003 - 7:00
DINHEIRO ? Quando o governo vai dar condições para a retomada do crescimento?
Luiz Fernando Furlan ? Não faria sentido anunciarmos o roteiro para o desenvolvimento se ele não fosse acontecer logo. Será no final do terceiro trimestre, em setembro, quando se consolidarem os sinais positivos da macroeconomia.
O sr. está se referindo a quedas sucessivas de juros?
Até setembro teremos três reuniões do Copom… Olha, estou prevendo que o Brasil vá entrar em 2004 em velocidade de cruzeiro. Há hoje uma consciência muito forte dentro do governo de que um quadro recessivo não interessa a ninguém. O presidente Lula prometeu um espetáculo de crescimento e nós, os ministros, vamos juntar massa crítica e abrir as cortinas para ele.
Qual o cerne do roteiro divulgado esta semana pela equipe econômica?
É uma plataforma de crescimento. Estamos traçando alvos
específicos para alcançar o desenvolvimento. Eles devem ser atacados com uma agenda positiva no curto prazo.
Quais os primeiros passos concretos da retomada do desenvolvimento?
Programas de estímulo a investimentos, projetos de
infra-estrutura e parcerias.
Mas quais são as novidades desse projeto?
O plano de hoje vai mobilizar menos recursos. Portanto, não pode premiar a eventual ineficiência e ser tolerante com desvios e
fraudes. O modelo dos anos 70 acabou pelo número de projetos
que não deram em nada ou que proporcionaram desvios sem pu-
nição exemplar. Agora, estamos falando em ter compromissos e identificar os pontos com gargalos.
Como será a punição para quem não responder ao esperado?
Ainda não temos uma fórmula para exigir contrapartida ou garantia. Mas que fique claro, não estamos falando de grandes benefícios fiscais e esquemas antigos como da Sudene e da Sudam. O investimento custará menos e a produção será mais competitiva.
Existem números para os subsídios e os incentivos fiscais?
Ainda não temos isso determinado. Um grupo com dois técnicos
de cada ministério (Fazenda, Casa Civil, Planejamento e Desenvolvimento) apresentará um quadro que ainda está em
fase de preparação.
O que o sr. espera dos empresários com o lançamento desse roteiro?
A mudança de humor do empresariado é muito rápida. No momento
em que sinalizarmos com uma política efetiva de crescimento, te-
remos uma resposta positiva do setor empresarial no campo do investimento. Além disso, vamos ter uma agressiva promoção comercial de produtos brasileiros, inclusive os não tradicionais.