Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Lula coloca a transição energética e a indústria de defesa no centro do plano de reindustrialização do Brasil, destacando biocombustíveis e os caças Gripen.

A estratégia do governo federal para acelerar a neoinstitucionalização e reindustrialização do País passa obrigatoriamente por dois pilares estratégicos: a liderança global em combustíveis renováveis e a soberania tecnológica do setor de defesa. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibiu amostras de biocombustíveis e modelos de aeronaves militares para reforçar que o Brasil possui vocação única para liderar a transição energética e garantir autonomia industrial.

A apresentação dos biocombustíveis serviu de pano de fundo para defender a vocação da matriz energética brasileira frente aos concorrentes europeus. “O nosso combustível renovável emissor de gás de efeito estufa é muito menor do que o deles. Mostramos isso na Alemanha com testes práticos em caminhões”, afirmou o presidente, citando os avanços do etanol, do biodiesel e do combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).

O motor do setor automotivo e o biocombustível

O setor automotivo — carro-chefe da indústria de transformação paulista e nacional — foi apontado como o grande beneficiário dessa virada sustentável. Segundo dados apresentados pelo Planalto, a produção nacional de veículos, que havia recuado ao patamar de 1,6 milhão de unidades nos últimos anos, já dá sinais de recuperação e caminha para retomar a marca de 3 milhões de veículos.

Combustível / TecnologiaAplicação IndustrialDiferencial Competitivo
Biodiesel / EtanolTransporte Rodoviário e Frota LeveRedução expressiva da pegada de carbono comparada aos fósseis
SAF (Sustentável de Aviação)Aviação Comercial e MilitarAtendimento às exigências globais de descarbonização aérea
Plataformas Híbridas FlexIndústria Automotiva NacionalIntegração da eletrificação com a matriz limpa do canavial

“O biodiesel foi criado em 2003 e o combustível do futuro é a nossa grande oportunidade. Levei o nosso produto para a maior feira industrial do mundo para provar que a nossa matriz emite significativamente menos gás de efeito estufa.”

Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República.

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Soberania e a cadeia de Defesa

Além da pauta verde, o presidente destacou a relevância estratégica da indústria de defesa para o Produto Interno Bruto (PIB) e para o ecossistema de inovação do País. Ao exibir a maquete do caça supersônico F-39 Gripen — desenvolvido em parceria com a sueca Saab —, Lula lembrou que parte do desenvolvimento e da montagem dessas aeronaves ocorre no polo industrial do ABC Paulista.

A tese do governo é que o fortalecimento da defesa não representa apenas gasto militar, mas sim proteção de ativos econômicos valiosos e transferência de tecnologia de ponta. O Brasil precisa proteger seus 16,8 mil quilômetros de fronteira terrestre, os 8 mil quilômetros de costa marítima, além das reservas do Pré-Sal e da riqueza mineral de terras raras e minérios críticos.

Com a consolidação do programa de transição energética e o fomento à Base Industrial de Defesa (BID), o Planalto sinaliza ao mercado corporativo que a sustentabilidade e a tecnologia nacional serão os dois grandes vetores de atração de capital privado para os próximos anos.

Assista a entrevista do Presidente Lula ao Inteligência LTDA. na integra: