O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta  segunda-feira, 12, ao deixar a cerimônia de posse da ministra Cármem  Lúcia como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que o  impeachment da presidente Dilma Rousseff ensinou ao País que ainda é  preciso aprender “muito para consolidar o nosso processo democrático”.  ”O impeachment consagrado apenas por conta de uma maioria política  eventual, sem levar em conta a inexistência de crime de  responsabilidade, é crime, é grave”, disse, ressaltando que todos os  parlamentares – tanto na Câmara como no Senado – sabem que não havia  base legal para afastar Dilma. “Não tinha um crime que pudesse  referendar aquilo. É um alerta pra gente aperfeiçoar o nosso processo  democrático. A democracia é uma construção constante, não tem limite”,  completou.

Questionado se pretende conversar com o  presidente Michel Temer em algum momento, Lula disse que, “se algum dia  for necessário”, mas que não acredita que isso é viável neste momento.  ”Se algum dia for necessário conversar com qualquer pessoa, eu  conversarei. Não acho necessário neste momento. Acho que primeiro  precisamos arrumar as coisas dentro do PT”, afirmou.

Lula  disse ainda que o PT vai ter que reaprender a fazer oposição. “Aqui no  Brasil muita gente exige que a oposição contribua com o governo. Nos  Estados Unidos, os republicanos fazem oposição oito anos aos democratas e  os democratas fazem oposição oito anos aos republicanos e ninguém se  queixa. Ou seja, é normal, é da vida democrática. Eu acho que o PT vai  ter que fazer oposição, vai ter que brigar”, afirmou, ressaltando que  obviamente o partido avaliará temas que são interesses do conjunto da  sociedade.

Manifestações

Enquanto  Lula dava as declarações à imprensa, um pequeno grupo de manifestantes  gritava palavras de ordem contra ele e pedia sua prisão. Questionado se  não se incomodava, Lula disse que nasceu na vida política fazendo  manifestação. “Tudo o que eu quero na vida é que o povo se manifeste  quantas vezes quiser”, disse.

O ex-presidente disse ainda  que acredita que os movimentos de rua contrários ao governo Temer devem  durar “muito tempo”. “Eu acho que isso vai perdurar, porque uma parcela  da sociedade brasileira continua indignada”, disse. “Obviamente que o  Temer vai ter que fazer um exercício muito grande como presidente para  fazer com que esse País saia da crise econômica que ele está submetido”,  completou.

Lula comentou ainda a polêmica envolvendo o  reajuste do Judiciário e afirmou que todas as categorias que merecem  reajuste devem ter reajuste. “Eu fui presidente da República e partia do  seguinte pressuposto: o dia que não puder dar aumento real de salário,  eu vou dizer que não posso dar aumento real, mas a reposição  inflacionária é obrigação de todos nós porque significa a perda de poder  aquisitivo do trabalhador. De qualquer poder, seja da presidência,  metalúrgico”, afirmou. “A reposição inflacionária é um direito das  pessoas. O que não pode é você ficar dizendo que é preciso diminuir o  custeio e fazer reajuste exagerado para qualquer categoria, pública ou  privada. Acho que, se o Brasil precisa de sacrifício, é importante fazer  sacrifício.”

Lula disse ainda que o governo não pode  tentar resolver problemas da crise “mexendo em direitos dos  trabalhadores”. “É inaceitável.”