02/04/2026 - 17:48
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira que a Petrobras volte a ter distribuidoras e afirmou estar “ansioso” para adquirir novamente uma distribuidora de gás para a estatal.
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Ele criticou ainda a venda da BR Distribuidora, atualmente Vibra Energia, no governo anterior ao voltar a dizer que o governo não permitirá que a alta nos preços internacionais dos combustíveis, consequência da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, afete o povo brasileiro.
“Eu defendo que a Petrobras volte a adquirir as distribuidoras para a Petrobras. A gente não pode ver a BR na mão da iniciativa privada repassando preço que a Petrobras não aumentou”, disse Lula em discurso durante cerimônia sobre mobilidade urbana em Salvador.
A Petrobras, no entanto, está impedida de voltar ao setor de distribuição de combustíveis até 2029, devido a cláusulas que foram incluídas no contrato de venda da BR Distribuidora.
“Eu estou ansioso para adquirir a distribuidora de gás outra vez”, acrescentou.
A petroleira estatal concluiu a venda de sua distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, Liquigás, no governo anterior, em 2020. A companhia também vendeu em anos anteriores seus ativos de distribuição e transporte de gás natural.
O presidente também repetiu que o governo quer que a Petrobras recompre a refinaria de Mataripe, na Bahia, vendida em 2021, no governo Jair Bolsonaro, para o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos Mubadala.
“A refinaria aqui na Bahia foi privatizada. Nós vamos fazer outra vez com que a Petrobras vire dona dela, não é uma tarefa fácil”, disse.
Lula comentou ainda notícia do avanço das investigações comerciais do governo dos EUA em relação ao Pix e aproveitou para fazer uma defesa do meio de pagamento.
“O Pix é do Brasil e ninguém, ninguém, vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, afirmou.
Lula já endossou compra de Mataripe outras vezes em 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no dia 20 de março, que a Petrobras poderia recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves – Rlam), na Bahia, vendida pela petroleira para a Acelen, do fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos, durante o governo de Jair Bolsonaro.
“Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”, disse Lula, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento na refinaria da Petrobras em Minas Gerais (Regap).
Diferentemente da Petrobras, as refinarias privatizadas costumam acompanhar a paridade internacional nos preços de venda de combustíveis para distribuidoras. Na semana anterior, a Refinaria de Mataripe anunciou um reajuste de até 20% no diesel, enquanto que a Petrobras anunciou uma alta de 11,7%.
Críticas à privatização da BR Distribuidora
Na solenidade, Lula também voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora – que seria uma peça-chave nessa política de fiscalização.
“Se a ainda BR estivesse na nossa mão, conseguimos regular o preço que chega no consumidor”, disse.
“Tinha que ter uma guerra quando quiseram vender a BR Distribuidora”, declarou, momentos depois.
Não existe mais posto Petrobras? Entenda o uso da marca após a privatização da BR Distribuidora
Os postos de combustíveis BR Distribuidora só poderão usar esta marca até junho de 2029. Isso significa que os postos conhecidos como Postos Petrobras devem deixar de existir com esse nome a partir de então. Esse foi o acordo feito na época em que a petrolífera brasileira vendeu seus negócios de distribuição de combustíveis, em 2019.
Pelo combinado, a nova dona, a Vibra Energia, tem o direito de uso da marca até 2029, que poderia ser renovado. Mas, no começo deste ano, a Petrobras comunicou ao mercado que notificou a Vibra sobre não ter interesse “em prorrogar o prazo de vigência nos termos do atual contrato de licença de uso de marcas da companhia, que se iniciou em 28 de junho de 2019 e se encerrará em 28 de junho de 2029”, diz a estatal.
Até lá, a Vibra pode seguir usando a marca BR. “O referido contrato seguirá vigente, sujeito aos termos e condições contratuais”, reforça a estatal.
No dia 10 de janeiro a Vibra publicou Fato Relevante confirmando a notificação da Petrobras e que “tal comunicação não gera qualquer mudança na estratégia da companhia em relação aos seus revendedores e clientes em geral.”. Ou seja, os postos seguem como BR, incluindo postos, caminhões e em outros ativos e comunicações oficiais da empresa, até junho de 2029.
No Fato Relevante, a Vibra destaca que a possibilidade da não renovação do contrato após 2029 já fazia parte dos planos de médio e longo prazo da empresa, e que o acordo previa a possibilidade de as partes envolvidas comunicar o interesse de não renovação até 24 meses antes do seu término.
Vibra
A BR Distribuidora, empresa de distribuição de combustíveis da Petrobras, foi vendida em julho de 2019, quando a Petrobras deixou de ser a maior acionista da distribuidora, que passou a ter mais capital privado do que estatal. Na época, a oferta inicial de ações rendeu R$ 9,6 bilhões à petroleira.
Em junho de 2021, a estatal realizou nova oferta de ações para se desfazer dos 37,5% de sua parte na distribuidora. A composição acionária da Vibra é dividida da seguinte forma:
- Dynamo 10,28%
- Samambaia Master Fundo 8,93%
- Previ 5,24%
- BlackRock 5,22%
- Outros 70,32
Procurada pela IstoÉ Dinheiro, a Vibra informou que “reitera o que consta em Fato Relevante publicado em 10 de janeiro de 2024”.
A Vibra possui mais de 8.200 postos de combustíveis no Brasil e é líder de mercado no país com uma participação de cerca de 22,5% do total, segundo dados da gência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
