O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira, 28, que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) é uma reação dos blocos à política unilateral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula assinou a promulgação do texto no período da tarde e ele entrará em vigor na sexta-feira, 1º de maio.

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“Depois que o presidente Trump tomou as medidas que ele tomou, praticando as taxações de forma unilateral contra o mundo inteiro, a resposta que a União Europeia e o Brasil deram ao mundo é que não existe nada melhor que a gente acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e na relação cordial entre as nações”, afirmou o presidente da República.

Atualmente, o bloco criado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai tem a Bolívia como membro em processo de integração, enquanto a Venezuela, que aderiu em 2012, foi suspensa do Mercosul por não cumprir o protocolo de adesão e, posteriormente, por descumprimento da cláusula de democracia.

O que acontece agora?

A partir do dia 1° de maio, a União Europeia elimina tarifas de importação para mais de 5 mil produtos, o que representa cerca de metade do universo tarifário. Entenda aqui o acordo entre o Mercosul e a UE.

Ao longo da implementação, o acordo pode alcançar a liberalização de mais de 90% do comércio bilateral, ampliando o acesso das exportações brasileiras a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores e inserindo o país em uma das maiores áreas econômicas do mundo, com aproximadamente 718 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões de PIB combinado.

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Defesa do Multilateralismo

Segundo Lula, os países precisam entender que, no cenário internacional, “não existe saída individual”. O presidente destacou também que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia força a “ideia consagrada do multilateralismo”.

Ele também destacou a importância do texto ter sido proposto pelos sul-americanos porque os países colonizados, segundo ele, enfrentam mais dificuldades no tabuleiro geopolítico.

O presidente também fez um balanço do governo e afirmou que, desde o início do mandato, o Brasil conseguiu abrir 530 novos mercados.

“Ao invés da gente ficar chorando pelo leite derramado e que tal produto está vindo com impostos aumentados, temos que procurar novos parceiros. Está cheio de gente querendo vender, está cheio de gente querendo comprar e o Brasil, hoje, não é uma republiqueta”, declarou.

Lula também fez um relato da viagem que fez à Alemanha na semana passada. Segundo o presidente, foi possível comprovar a eficácia do biocombustível brasileiro na Feira de Hanôver. “O Brasil, nesta questão da transição energética e nessa revolução digital que o mundo está vivendo, não precisa ficar devendo nada a ninguém”, afirmou.

Além de assinar a promulgação do acordo, Lula enviou ao Congresso Nacional duas mensagens para a aprovação de acordos com a Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Em um breve discurso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse esperar que os dois textos tenham uma votação célere, como foi no caso do UE-Mercosul.

Ainda de acordo com Mauro Vieira, o acordo entre os dois blocos emitiu um sinal de que eles “acreditam na integração econômica” e que o Mercosul é “funcional e maduro” para o comércio exterior.

“A parceria com a União Europeia sinaliza para o restante do mundo que o Mercosul é um bloco funcional, maduro e pronto para gerar acordos de novas gerações para outros acordos globais”, disse o ministro das Relações Exteriores.

Estamos trabalhando para trazer Colômbia para o Mercosul, diz Lula

Lula reforçou a intenção de abrir espaço para a entrada da Colômbia no Mercosul, e afirmou que o bloco pretende também estender a adesão a outros países.

Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, no entanto, a mudança de governo na Venezuela, com a saída de Nicolás Maduro, pode levar à uma revisão da situação do país junto ao Mercosul.