25/03/2009 - 7:00

LULA NO HOTEL PLAZA, EM NY: o presidente ironizou a previsão do Morgan Stanley de uma queda de 4,5% do PIB brasileiro e exibiu sinais de expansão no País
DOIS DIAS DEPOIS DE SE TORNAR O terceiro líder mundial a ser recebido na Casa Branca pelo presidente americano, Barack Obama, o presidente Lula discursou em Nova York para uma seleta plateia de cerca de 200 investidores. As paredes douradas e os lustres de cristal do luxuoso hotel The Plaza foram testemunhas do otimismo do presidente. “Enquanto a maioria dos países ricos mergulha na recessão, o Brasil vai continuar crescendo.
Cresceremos em 2009 menos do que gostaríamos, menos do que poderíamos, se não fosse essa crise externa. Mas estejam certos de que vamos crescer”, disse Lula. Parecia um otimismo infundado. Afinal, apenas uma semana antes o IBGE havia divulgado o pior resultado trimestral na economia brasileira desde 1996, uma queda de 3,6%.
Ainda repercutia no salão o bombástico relatório do banco Morgan Stanley, prevendo uma queda de 4,5% no PIB brasileiro este ano. Economistas brasileiros riram da previsão catastrófica e totalmente absurda, mas Lula teve que enfrentar o olhar inquisitivo dos estrangeiros interessados em ouvir a opinião do presidente brasileiro. Ele manteve o otimismo e não foi o único. O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que não acredita em crise no País, mas em ajuste. “No ritmo que vínhamos crescendo até 2008, estava praticamente impossível atender às demandas de diversas partes do mundo”, afirmou. Por toda parte, economistas de dentro e fora do governo revisaram para baixo suas projeções em relação ao que esperavam antes da crise. Mas mesmo as previsões mais pessimistas falam em expansão. A média das expectativas de mercado, medida pelo boletim Focus, do Banco Central, é de crescimento de 0,59%. Mas a projeção da Moody’s é de uma elevação de 1,5%.

OBRA, EM SP: medidas podem garantir expansão de quase 1% do PIB
Na quarta-feira 18, os dados do Cadastro-Geral de Emprego e Desemprego (Caged) mostraram que o otimismo do presidente não era infundado. Foram criados 9.179 empregos com carteira assinada em fevereiro, interrompendo a trajetória de queda dos três meses anteriores. Entre novembro e janeiro, foram perdidos 797,5 mil postos. Agora, a situação começa a mudar. “O Brasil começou a sair da crise em fevereiro. Tivemos recuperação nos principais Estados”, disse o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. Ele prevê a criação de mais 100 mil vagas em março. Se o número se confirmar, será pior do que no início do ano passado, mas suficiente para manter o mercado interno aquecido.
Pacote de habitação sai nos próximos dias e terá verba de R$ 70 bilhões
Nesta semana, o governo divulga a mais nova arma para estimular a economia. O Plano Nacional de Habitação deve movimentar R$ 70 bilhões no setor de construção civil, um dos mais importantes para estimular o emprego. Com subsídios para compradores de baixa renda, isenções para materiais de construção e a meta de construir um milhão de casas populares em dois anos, esse pacote deve contribuir com um crescimento de 0,7 ponto ao ano no PIB, segundo estudo da FGV. O objetivo é ousado se comparado com a média dos últimos anos, quando foram construídas 150 mil casas populares. Será que o mercado dá conta?
“Se depender de mim, dá”, responde automaticamente Fábio Cury, presidente da Cury, braço direito da Cyrela para residências econômicas e supereconômicas. No instante seguinte, Fábio é cauteloso. “Depende do que vier.” Ele conta que a Cury já participou da construção de todos os conjuntos habitacionais propostos no passado e diz que o grande empecilho para atender à população que ganha até cinco salários mínimos sempre foi a inflação alta, a falta de crédito e o desemprego. “Com exceção do emprego, que já voltou a se recuperar, as outras variáveis não incomodam mais”, explica. Sua opinião não é isolada. Elias Moraes Borges, diretor administrativo da Borges Landeiro, maior construtora do Centro- Oeste, conta que já comprou um terreno de 200 mil m2 nos arredores de Goiânia, em Goiás, para construir mais de oito mil apartamentos de 65 m2 cada um, se o Plano Nacional de Habitação contemplar o que o governo tem prometido. “A minha única preocupação é com a capacidade de gerenciamento da Caixa. Hoje as empresas não conseguem ter acesso ao crédito quando dependem da Caixa”, reclama Moraes Borges.
Aos investidores em Nova York, o presidente Lula também garantiu que o governo vai continuar irrigando a economia. “Não vamos nos apequenar diante da crise. Não cortarei um centavo do gasto social, nem da infraestrutura. Vamos continuar estimulando de forma responsável o consumo dos brasileiros. Garantiremos, assim, a preservação e ampliação do emprego no nosso país”, disse Lula. Até agora, parece que está dando certo.